O Júri Nacional Eleitoral do Peru (JNE) decidiu, de forma unânime, negar os pedidos de candidatos de direita que solicitavam a realização de eleições complementares ao pleito geral, realizado no último dia 12. Entre os que pleitearam a nova votação estava o candidato conservador Rafael López Aliaga, que contou com o apoio da direitista Keiko Fujimori.
Em comunicado divulgado na última sexta-feira (24), o JNE alegou que a proposta de realizar a votação complementar era “inviável” e baseou sua decisão em uma análise técnico-jurídica, considerando também relatórios de instâncias competentes. O órgão enfatizou que está em processo contínuo de revisão das atas, além de resolução de pedidos de anulação e demais ações previstas na legislação vigente.
A solicitação de eleições complementares surgiu após a constatação de que mais de 63 mil eleitores não puderam votar devido à falta de urnas e seções eleitorais em determinados locais no dia da eleição. Para esses pontos, a votação foi prorrogada até o dia 13. Porém, segundo informações do jornal El Comércio, López Aliaga argumentou que muitos peruanos desistiram de votar na prorrogação devido à falta de material eleitoral, resultando em uma perda estimada de cerca de 1 milhão de votos, especialmente em áreas da capital, Lima, onde ele liderava nas pesquisas.
Em resposta à situação, López Aliaga exigiu que fossem realizadas eleições complementares para todos os que não conseguiram votar, incluindo policiais e militares. Keiko Fujimori, que atualmente lidera a apuração do primeiro turno, apoiou a ideia, considerando-a razoável, uma vez que o candidato conservador não estava mais pedindo a anulação total da eleição.
A Justiça Eleitoral do Peru está atualmente revisando mais de 4 mil atas que foram impugnadas devido a inconsistências e irregularidades. O resultado desse processo será crucial para determinar quem enfrentará Fujimori no segundo turno, que está agendado para o dia 7 de junho.
A situação gerou repercussões significativas, levando à renúncia de Piero Corvetto, diretor do Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru (Onpe), e à prisão de José Samamé Blas, gerente de gestão eleitoral do Onpe. Com 95,1% dos votos apurados, Fujimori aparece com 17,1% dos votos, enquanto o esquerdista Roberto Sánchez obtém 12%, e López Aliaga segue com 11,9%, com uma diferença de apenas 20 mil votos entre o segundo e o terceiro colocado.




