Arqueólogos estão desvendando um templo grego do século VI a.C. que parece ter desempenhado um papel inusitado na Grécia Antiga, funcionando como um arquivo para documentos, além de ser um local de rituais religiosos. A descoberta ocorreu em Kleidi Samikon, na região da Ília, no Peloponeso ocidental, e está sendo investigada desde 2022 por uma equipe greco-austríaca, liderada pelas arqueólogas Birgitta Eder e Erofili-Iris Kolia, do Instituto Austríaco de Arqueologia e da Eforia de Antiguidades da Ília.
Os resultados das escavações realizadas ganharam destaque internacional neste ano, trazendo novas perspectivas sobre as funções dos templos na história antiga da Grécia. O Templo de Samikon, com dimensões de aproximadamente 28 metros de comprimento e 9,5 metros de largura, possui um layout atípico, com duas grandes salas independentes, cada uma equipada com uma fileira central de colunas, sugerindo que seu uso ia além do culto religioso.
Durante as escavações mais recentes, a equipe encontrou evidências de um incêndio que destruiu parte da estrutura na Antiguidade, sob uma camada de telhas lacônias desabadas. Esse entulho revelou uma concentração de placas de bronze que estavam severamente danificadas pelo fogo e pela umidade do solo ao longo dos séculos. Essas placas, quando analisadas junto com inscrições em bronze previamente encontradas, reforçam a hipótese de que uma das salas do templo atuava como um arquivo para documentos importantes, protegidos pela santidade do local.
Na Grécia Antiga, era comum que registros como tratados, leis e atos cívicos fossem preservados em templos, uma vez que a reverência a esses espaços sagrados inibia a falsificação ou destruição de documentos. Se essa hipótese se confirmar, o Templo de Samikon poderá ser visto como um exemplo de que os arquivos ali tinham valor não apenas religioso, mas também político.
Adicionalmente, fragmentos de um grande acrótero em argila, um ornamento arquitetônico, também foram recuperados, com pelo menos um metro de diâmetro e pintados em preto e vermelho, o que indica a importância estética e simbólica do templo na paisagem da Grécia Antiga. O programa de pesquisa em arqueologia em Samikon está previsto para encerrar em 2026, mas a análise das inscrições em bronze ainda está em andamento.
O conteúdo exato dos documentos preservados ainda é uma incógnita, e sua legibilidade poderá oferecer novos detalhes sobre a vida administrativa e religiosa da Grécia Arcaica. A descoberta, que remete a 2026, é um lembrete significativo de que os templos da Antiguidade eram muito mais do que locais de culto, servindo como centros de poder, memória e governança.




