Guilherme Martins Lima, de 26 anos, conhecido como "Alemãozinho", está sendo julgado por sua suposta participação na execução de Wilver Sander de Souza, de 30 anos, ocorrida em abril de 2025. Durante o interrogatório realizado no Tribunal do Júri na última sexta-feira (24), ele afirmou que foi torturado por um delegado da Polícia Civil para confessar o crime. Essa declaração gerou reações e levou a Associação dos Delegados de Polícia do Estado a manifestar apoio ao servidor envolvido.
A fala de Guilherme foi feita em um momento em que o réu não tem a obrigação legal de dizer a verdade, podendo apresentar sua versão dos fatos como parte de sua defesa. O juiz Aluízio Pereira dos Santos enfatizou que, apesar da ausência de compromisso com a verdade, eventuais acusações falsas podem acarretar punições. Se a imputação falsa contra o delegado for comprovada, o réu poderá ser responsabilizado por denunciação caluniosa, com pena que varia de dois a oito anos de reclusão, além de multa.
O juiz também ressaltou que a defesa ampla do réu não o isenta de responder por crimes relacionados a acusações infundadas. Em nota, a Adepol defendeu o delegado Rodolfo Daltro, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmando que a Polícia Civil segue métodos técnicos e respeita as garantias legais durante suas investigações. O comunicado ainda destacou que alegações de irregularidades frequentemente fazem parte de estratégias defensivas que buscam deslegitimar investigações consistentes.
No caso em questão, Guilherme é acusado de ter executado Wilver Sander, conhecido como "Corumbá", por volta das 21h do dia 5 de abril de 2025. De acordo com a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a vítima estava na região da Orla Ferroviária quando o réu se aproximou em uma motocicleta. Ele teria deixado o veículo estacionado na Rua Antônio Maria Coelho e, em seguida, se dirigido a "Corumbá", que estava nas proximidades da Maria Fumaça, na Avenida Calógeras. A acusação afirma que, após localizar a vítima, Guilherme disparou contra ela e fugiu em um veículo de aplicativo, acompanhado de uma mulher e uma criança.
A motivação para o crime estaria relacionada a disputas territoriais no tráfico de drogas na área. Guilherme foi preso em 14 de maio, em decorrência de um mandado de prisão temporária e de busca e apreensão, durante o qual foi encontrado em posse de arma de fogo e drogas.




