O sistema judiciário de El Salvador deu início, nesta terça-feira (21), ao julgamento coletivo de mais de 400 indivíduos supostamente ligados à gangue Mara Salvatrucha, conhecida como MS-13. Este processo abrange um total de mais de 47 mil crimes que teriam sido perpetrados entre os anos de 2012 e 2022.
Os promotores alegam que os 486 réus estão envolvidos em uma série de delitos graves, incluindo homicídios, feminicídios, extorsão, tráfico de armas e desaparecimentos forçados. Além disso, eles são acusados de tentativas de estabelecer um estado paralelo por meio do controle territorial, o que caracteriza uma grave violação da ordem pública.
Durante o julgamento, a Promotoria apresentou diversas provas, como autópsias, análises balísticas e testemunhos, e solicitou que o juiz aplicasse a pena máxima para cada um dos crimes imputados. Caso sejam considerados culpados de todas as acusações, um único réu poderia enfrentar uma pena total de até 245 anos de reclusão.
Entre os crimes discutidos, destacam-se as ordens para o assassinato de 86 pessoas durante o final de semana mais violento do pós-guerra em El Salvador, que ocorreu entre os dias 25 e 27 de março de 2022. Essa onda de violência levou o Congresso, em sua maioria favorável ao governo, a implementar um estado de emergência nacional, o qual tem sido renovado mensalmente desde então.
O estado de emergência tem gerado controvérsias, sendo criticado por permitir abusos de direitos humanos. Juristas internacionais acusaram as autoridades salvadorenhas de cometerem crimes contra a humanidade, incluindo tortura e desaparecimentos forçados, sob a justificativa do decreto.
As forças de segurança, durante a vigência do estado de emergência, detiveram mais de 91.500 pessoas. Organizações de direitos humanos relatam que essa medida resultou em uma superlotação de 238% nas prisões do país, além da morte de 513 detentos sob custódia estatal.




