Representantes de frentes parlamentares ligadas ao setor produtivo afirmaram que o governo federal enfrentará resistência no Congresso Nacional se decidir revogar a chamada "taxa das blusinhas". Embora a Ala do Palácio do Planalto defenda a proposta, a administração ainda não definiu sua posição sobre o assunto. Pesquisas indicam que a taxação teve um impacto significativo na popularidade do governo, o que alimenta a discussão sobre a revogação.
Os parlamentares acreditam que o apelo popular em torno da revogação pode conquistar o apoio de uma parte relevante do Legislativo, especialmente considerando o ano eleitoral que se aproxima. No entanto, aqueles que são mais sensíveis às demandas dos diversos setores da economia devem resistir a essa mudança.
A isenção para compras internacionais de até US$ 50 foi eliminada em 2024, com a justificativa de que a indústria nacional, em setores como têxtil, eletrônicos e brinquedos, não conseguiria competir em igualdade de condições com produtos importados, devido aos tributos mais altos que pagam.
O deputado Júlio Lopes (PP-RJ), que preside a Frente Parlamentar do Brasil Competitivo, declarou que a revogação da taxa seria "desastrosa para a indústria nacional" e se posicionou contra a proposta. Ele argumentou que permitir a importação sem impostos seria um golpe para a indústria brasileira, que já enfrenta dificuldades em um cenário de juros elevados e alta taxa de endividamento da população. "É um atentado contra a produtividade brasileira", afirmou.
A oposição dentro da Frente Parlamentar tem a intenção de exigir do governo a retirada de impostos que incidem sobre produtos nacionais, caso a revogação se concretize. O objetivo é garantir condições justas entre os produtores locais e os internacionais.
Por sua vez, Joaquim Passarinho (PL-PA), coordenador da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, manifestou disposição para debater a revogação, mas ressaltou que os congressistas exigirão compensações do governo, inclusive de natureza fiscal. No ano anterior, a Receita Federal arrecadou R$ 5 bilhões com o imposto de importação sobre encomendas internacionais.




