O emprego de microrganismos na agricultura tem avançado, mas ainda enfrenta desafios significativos relacionados à seleção adequada de insumos biológicos. O professor e pesquisador Adailson Feitoza destaca que uma das falhas mais comuns está na escolha dos produtos utilizados no campo.
Feitoza ressalta que a seleção apenas pela espécie do microrganismo pode resultar em desempenhos inconsistentes. Ele explica que nem todos os Bacillus têm o mesmo desempenho, já que a eficiência agronômica não é determinada apenas pela espécie. O que realmente importa é a cepa, que pode apresentar características distintas, mesmo dentro do mesmo grupo.
O pesquisador aponta que existem cepas com maior adaptabilidade, resistência e funcionalidade, enquanto outras têm atuação mais restrita. Essa variação impacta diretamente o desempenho no campo, principalmente em condições adversas, como seca e baixa fertilidade do solo. Portanto, produtos que pertencem à mesma categoria podem gerar resultados bastante diferentes, o que evidencia a necessidade de uma aplicação mais precisa da microbiologia.
Esse panorama é evidenciado pelo projeto Trilha dos Microrganismos da Caatinga, onde as coletas em campo revelam a presença de organismos altamente adaptados ao ambiente. Para Feitoza, a Caatinga atua como um filtro natural, selecionando microrganismos que conseguem sobreviver em condições extremas e manter sua atividade metabólica mesmo em situações desfavoráveis.
A análise das características desses microrganismos é fundamental para entender quais realmente funcionam, em que condições e por quais razões. Feitoza enfatiza que o desafio vai além da mera identificação de um organismo; é essencial compreender seu desempenho no ambiente agrícola. Ele reforça que a seleção natural e o contexto ambiental são fatores determinantes para o sucesso dos biológicos.




