Os dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira mostram que, em março, as exportações do agronegócio brasileiro para o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) recuaram 25,38%, embora no acumulado do primeiro trimestre de 2026 haja um crescimento de 6,8%, totalizando US$ 1,44 bilhão em embarques. Essa situação reflete os efeitos da interrupção no Estreito de Ormuz, rota marítima essencial para a região do Oriente Médio.
O milho, que é o principal grão exportado para o Irã, registrou uma queda acentuada de 99,96% nas exportações, conforme informações do CCG. Entretanto, essa redução não é vista como um sinal de alerta, uma vez que, historicamente, o mês de março não é responsável por grandes volumes de embarques. A professora da ESPM, Cristiane Mancini, enfatiza que os exportadores ainda têm um prazo até o segundo semestre para reajustar seus planos em relação ao milho, uma vez que as exportações costumam ser mais intensas a partir de julho.
A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) ressalta que a janela de exportação do milho se concentra no segundo semestre, o que diminui os impactos da guerra em andamento. A Anec observa que o aumento dos custos logísticos, especialmente os fretes marítimos e prêmios de seguro, está pressionando as operações. O encarecimento afeta não só as rotas para o Golfo, mas também outros mercados, como a China.
Em março, o Egito foi um dos principais compradores do milho brasileiro, adquirindo 733.148 mil toneladas, seguido pelo Irã com 134.669 mil toneladas. A Jordânia também importou 18.598 mil toneladas, resultando em um total de 886.410 mil toneladas embarcadas para o Oriente Médio, conforme os dados da Anec.
Daniel Rosa, diretor-técnico da Abramilho (Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo), destaca que o aumento no custo de produção, principalmente dos insumos nitrogenados, é a principal preocupação dos Produtores de Milho neste momento. A escassez de dados sobre as compras já realizadas para a segunda safra preocupa o setor.
No que diz respeito ao açúcar, o Iémen, que representa 4% das exportações, importou 68,2 milhões de toneladas, com um crescimento de 4,8% no mês, resultando em uma receita de R$ 24,4 milhões. O Iraque, com 2,7% do total, importou 4,9 milhões de toneladas por R$ 17,5 milhões, enquanto Omã, com apenas 1,4% das exportações, somou 9 milhões de toneladas com receita de R$ 9,1 milhões.




