A morte da estudante Khadyja Gharyb Rocha, de 23 anos, em um incidente no Parque dos Poderes, onde foi atingida por um tronco enquanto andava de patinete, trouxe à tona a preocupação com a condição das árvores em Campo Grande. O acidente ocorreu na quarta-feira (19) e fez com que moradores começassem a relatar nas redes sociais a presença de árvores ocas, secas ou com sinais de deterioração, questionando como identificar riscos e a quem recorrer em situações semelhantes.
Campo Grande é reconhecida há sete anos consecutivos, de 2019 a 2025, como Tree City of the World (Cidade Árvore do Mundo). Essa honra é concedida pela Arbor Day Foundation em parceria com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), considerando critérios como a gestão e o planejamento da arborização. O Manual de Arborização Urbana do município enfatiza que, para obter esse reconhecimento, as cidades precisam cumprir requisitos que envolvem legislação, equipe, orçamento e um inventário dedicado às árvores urbanas, além de promover o envolvimento da comunidade.
Após a tragédia, a preocupação central se tornou a saúde das árvores que compõem a paisagem urbana. Um dos leitores destacou uma árvore antiga na Rua Brilhante, próxima ao supermercado Comper, alertando que sua queda poderia causar grandes danos. Outro morador expressou sua inquietação sobre uma árvore sem folhas e com galhos secos, localizada em frente ao Yotedy, no estacionamento do Parque das Nações Indígenas, onde um galho já havia caído, danificando uma grade nas proximidades. A árvore, situada ao lado de um ponto de ônibus, gera apreensão para quem transita pela área.
A legislação que regula a arborização não permite a remoção de árvores sem autorização do órgão competente. O Manual de Arborização especifica que a supressão deve ser solicitada e, em casos de risco iminente, instituições como o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil devem ser acionadas. Mesmo que um morador queira custear a remoção de uma árvore em via pública, essa autorização é indispensável.
Zildamara Holsback, especialista em Botânica, ressalta que a segurança não deve ser alcançada por meio da remoção indiscriminada de árvores. Ela defende que a arborização deve ser acompanhada de um planejamento cuidadoso, escolha adequada das espécies e monitoramento contínuo. "Queremos uma cidade mais arborizada, mas de forma segura", afirma.
Para aqueles que se deparam com situações de risco, a orientação é entrar em contato com o Corpo de Bombeiros pelo número 193 ou com a Defesa Civil pelo 199. Caso a árvore esteja em contato com a rede elétrica, a Energisa deve ser acionada. Para avaliações preventivas, podas ou remoções, o atendimento deve ser solicitado à Prefeitura através do número 156.




