A Sociedade Sacerdotal São Pio X (SSPX), uma congregação tradicionalista conhecida por sua ligação com o arcebispo Marcel Lefebvre, desafiou a autoridade papal ao ordenar quatro novos bispos na cidade de Écône, na Suíça, nesta quarta-feira (1º). A cerimônia foi realizada sem a autorização do papa Leão XIV, que havia solicitado a suspensão das consagrações.
Os bispos consagrados foram o suíço Pascal Schreiber, o americano Michael Goldade e os franceses Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier. A celebração seguiu o rito anterior ao Concílio Vaticano II, que é rejeitado pela SSPX, e ocorreu de costas para os fiéis, em latim. A ordenação foi presidida por Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay, os únicos bispos restantes consagrados por Lefebvre em 1988.
Na véspera da consagração, o papa Leão XIV enviou uma carta à SSPX pedindo que não realizassem as ordenações episcopais sem a devida autorização. Ele expressou seu desejo de que o grupo reconsiderasse a decisão, enfatizando a importância do bem espiritual dos fiéis. O papa advertiu que a realização do ato cismático os privaria da recepção lícita e válida dos sacramentos, essenciais para a santificação.
O Vaticano já havia classificado as consagrações como um ato cismático em uma declaração emitida em 13 de maio, o que resultaria em excomunhão automática tanto para os bispos consagrantes quanto para os novos bispos. Essa situação destaca a crescente tensão entre a SSPX e a hierarquia da Igreja Católica, refletindo os desafios enfrentados pela congregação em sua busca por legitimidade dentro da estrutura eclesiástica.
A ordenação de bispos sem a permissão papal representa um desvio significativo das normas estabelecidas pela Igreja, além de evidenciar a divisão existente entre os tradicionalistas e a autoridade central da Igreja. A SSPX continua a operar fora das diretrizes do Vaticano, desafiando a estrutura e a unidade católica em várias de suas práticas e doutrinas.




