Um novo relatório divulgado pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) nesta quinta-feira (2) revela que a Rússia teria utilizado uma frota secreta de drones para investigar vulnerabilidades nas capacidades militares dos países europeus. O documento aponta que essa campanha interferiu repetidamente nas operações da aviação civil em várias nações, enquanto o governo de Vladimir Putin monitorava instalações e avaliava as defesas aéreas dos membros da Otan, em um cenário que levanta preocupações sobre um potencial conflito nos próximos anos.
O IISS analisou a movimentação de embarcações da frota paralela russa e concluiu que é "altamente provável" que o Kremlin esteja utilizando esses navios como plataformas para o lançamento dos drones. Ao todo, foram registrados no mínimo 144 avistamentos suspeitos em toda a Europa, com destaque para países como Alemanha, França, Bélgica, Holanda, Reino Unido e Dinamarca, em um intervalo de dois anos, entre 2024 e 2026. O relatório indica que houve um aumento significativo dessas atividades no final de 2025, o que levou ao fechamento temporário de vários aeroportos na Alemanha, Espanha e Dinamarca.
O estudo descreve a estratégia russa como um "fracasso estratégico" para a Europa, uma vez que as discretas ações de Moscou não geraram discussões sobre uma resposta coletiva por parte da aliança militar. Em entrevistas, diversos altos funcionários europeus relataram a dificuldade em atribuir as incursões de drones diretamente à Rússia, o que complica a situação para a Otan.
A utilização de drones para fins de espionagem tem se tornado uma prática comum entre nações, devido à dificuldade de detecção desses dispositivos, que frequentemente operam em voos baixos e lentos. Essa característica torna complicado para os radares diferenciá-los de aves ou pequenos aviões. Além disso, os drones podem ser lançados de dentro ou nas proximidades das fronteiras, burlando facilmente as defesas antimísseis que estão projetadas para interceptar mísseis supersônicos disparados de fora.
Como de costume, Vladimir Putin negou qualquer envolvimento em uma campanha de sabotagem contra os países europeus, reiterando a posição do Kremlin em relação às suas operações militares e de inteligência na região.




