O Ministério das Relações Exteriores do Peru emitiu, na última sexta-feira (19), um comunicado negando as acusações feitas pelo candidato de esquerda Roberto Sánchez, que alegou manipulação nos resultados da votação realizada no exterior durante o segundo turno das eleições presidenciais. Na nota, a chancelaria rejeitou categoricamente qualquer insinuação de interferência ou favorecimento político por parte de seus funcionários consulares.
As declarações de Sánchez, feitas no dia anterior, destacaram sua insatisfação com as mudanças nas regras eleitorais. Ele afirmou que as alterações, supostamente influenciadas pelo Ministério das Relações Exteriores, representaram um golpe severo ao processo eleitoral, comprometendo a integridade da cadeia de custódia dos votos. Segundo ele, a situação exige uma explicação clara sobre os acontecimentos.
A chancelaria explicou que, no primeiro turno, o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe) solicitou o uso de um aplicativo para digitalizar as atas eleitorais, mas essa ferramenta foi aplicada apenas em 108 dos 180 consulados que participaram da votação no exterior. O uso do aplicativo foi considerado uma medida operacional e não substituiu o processo legal tradicional de entrega das atas.
Após o primeiro turno, algumas repartições consulares relataram dificuldades na utilização do aplicativo, o que levou à decisão, em conjunto com o Onpe, de não utilizá-lo no segundo turno, realizado em 7 de agosto. A chancelaria enfatizou que essa decisão não alterou a Lei Orgânica das Eleições nem o procedimento legal para a devolução do material eleitoral.
A não utilização do aplicativo durante o segundo turno não gerou qualquer irregularidade, conforme garantido pela chancelaria. Na última semana, o pedido de anulação de votos no exterior feito por Sánchez foi negado pela Justiça, e seu partido, Juntos pelo Peru, declarou que não reconheceria os resultados do segundo turno.
Até o momento, das 92.766 atas contabilizadas, 92.327 já foram computadas na apuração dos votos. A candidata Keiko Fujimori lidera com 50,118% dos votos válidos, enquanto Roberto Sánchez possui 49,882%, o que representa uma diferença de cerca de 44 mil votos. A conclusão da apuração depende da análise das 439 atas restantes, um processo que pode se estender por semanas devido a inconsistências detectadas em mais de 1,6 mil atas, que foram enviadas para revisão pela Justiça Eleitoral do Peru.




