A senadora Patricia Bullrich, líder do partido La Libertad Avanza (LLA) e aliada do presidente argentino Javier Milei, fez um apelo ao governo do Brasil nesta quinta-feira (6) para que o embaixador brasileiro Julio Bitelli retorne ao seu posto em Buenos Aires. Durante um discurso no Senado, Bullrich argumentou que as divergências políticas entre os dois países não deveriam afetar as relações institucionais que sempre existiram entre Brasil e Argentina.
Bullrich destacou que a ausência do embaixador brasileiro apenas intensifica a crise diplomática que se agravou devido a trocas de críticas entre Milei e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Peço ao presidente Lula e ao Brasil que o embaixador Bitelli volte à Argentina. É isso que queremos: que a política seja separada das relações institucionais estratégicas que Argentina e Brasil sempre mantiveram", afirmou a senadora.
Além disso, a senadora anunciou que seu bloco apresentará uma proposta à Comissão de Assuntos Constitucionais e Relações Exteriores do Senado, visando restabelecer as relações diplomáticas no nível de embaixadores. Bullrich ressaltou que a proximidade das eleições no Brasil contribui para o aumento da tensão política, mas defendeu que ambos os governos devem analisar os recentes acontecimentos com imparcialidade, preservando a relação bilateral independentemente das disputas ideológicas entre os presidentes.
Durante seu discurso, Patricia Bullrich respondeu a críticas de autoridades brasileiras sobre a visita de Milei a São Paulo, onde o presidente argentino participou de um evento de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A senadora argumentou que Lula também se envolveu em campanhas eleitorais em outros países, citando seu apoio ao candidato peronista Sergio Massa, derrotado por Milei nas eleições presidenciais argentinas de 2023.
Bullrich também destacou outros apoios de Lula a líderes de esquerda na América Latina e mencionou uma visita do presidente brasileiro à ex-presidente Cristina Kirchner. A senadora criticou a decisão recente do Brasil de rebaixar as relações diplomáticas, que, segundo ela, deve ser tratada com atenção para evitar que comprometa os vínculos institucionais entre os dois países.
Na quarta-feira (5), o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, anunciou que deixará o país para férias em Buenos Aires, mas ainda não há data definida para seu retorno. Durante sua ausência, a embaixada argentina será comandada por María Emilia Cortés. O chanceler Pablo Quirno descreveu a decisão do Brasil como "lamentável", mas afirmou que a Argentina não pretende adotar novas medidas de retaliação, enfatizando que as divergências políticas não devem afetar as relações institucionais.




