O governo da Nicarágua, sob a liderança do ditador Daniel Ortega, emitiu uma resposta nesta quinta-feira (23) a uma nota do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. O Itamaraty expressou sua "preocupação" após Ortega declarar que "não voltará a haver eleições" no país.
Em sua nota oficial, a Chancelaria da Nicarágua afirmou que a situação do país refere-se a "nossa democracia, nossas eleições". O texto destaca que o governo nicaraguense reafirma seu compromisso com processos eleitorais que consideram democráticos, livres e transparentes, conforme as normativas das instituições nacionais.
O regime sandinista ainda manifestou seu "carinho fraternal em relação ao povo do Brasil" e expressou respeito pelas instituições brasileiras. A resposta ocorre em um contexto em que Ortega, durante a celebração do 47º aniversário da Revolução Sandinista no último domingo (19), anunciou o fim das eleições, justificando que tal medida é necessária para evitar que a oposição possa assumir o poder.
A nota do Itamaraty, divulgada na mesma quinta-feira, enfatizou que o governo brasileiro ficou preocupado com a declaração do presidente nicaraguense. O Itamaraty reiterou que a realização de eleições livres, periódicas, plurais e transparentes é fundamental para a democracia, um valor com o qual o Brasil se compromete profundamente.
Na mensagem, o governo brasileiro conclamou as autoridades nicaraguenses a garantirem ao povo da Nicarágua o direito soberano de escolher seus governantes. Em uma declaração anterior, na quarta-feira (22), Gustavo Porras, presidente do Parlamento nicaraguense e aliado de Ortega, mencionou que as eleições ainda ocorrerão, mas sob um novo marco constitucional que visa proteger o processo eleitoral de "ingerências estrangeiras" e de "traidores da pátria".




