Na manhã de quinta-feira (13), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pichou o muro da Embaixada dos Estados Unidos, localizada em Brasília, como parte de um protesto contra o governo do presidente Donald Trump. O ato contou com a presença de manifestantes vestidos de palhaço e gerou a investigação da Polícia Civil, que já confirmou um princípio de incêndio na área da representação diplomática, o qual foi rapidamente controlado.
A pichação foi confirmada pelo MST, que atribuiu a ação à sua juventude e ao “Levante Popular da Juventude”. Os manifestantes escreveram em português e inglês a frase “EUA fazem guerra e lucram com a morte”. Materiais utilizados no protesto, como cartazes, foram recolhidos pela perícia, enquanto a identidade dos envolvidos ainda não havia sido determinada.
A 1ª Delegacia de Polícia, situada na Asa Sul do Plano Piloto de Brasília, registrou o incidente e está em busca de esclarecer as circunstâncias do protesto e do princípio de incêndio. O MST, em sua publicação, descreveu a ação como uma manifestação “coletiva e pacífica”, na qual a juventude organizada se opõe à indústria bélica e à política imperialista dos EUA, responsabilizando a nação norte-americana pela morte de milhares de pessoas e por crises de fome e sanções contra países da América Latina e do mundo.
Este protesto ocorre em um contexto de crescente tensão entre Brasil e Estados Unidos, especialmente em meio ao conflito entre os EUA, Israel e Irã. Nos últimos sete meses, os países têm enfrentado uma guerra contra a nação persa, com as negociações para encerrar o conflito avançando lentamente e seus efeitos impactando diversas regiões.
Além disso, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia acionado formalmente os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC) no final de julho. A gestão Trump expressou interesse em negociar com o Brasil sobre os termos do tarifaço, enquanto a crise diplomática entre os dois países se intensificou após a suspensão do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Esse revés diplomático ocorreu devido à demora do Brasil em aprovar a indicação do político republicano Daniel Perez para assumir a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. O governo brasileiro ainda não concedeu o agrément, que é a autorização necessária para que um embaixador estrangeiro assuma oficialmente o cargo, e criticou Washington por ter tornado pública a indicação de Perez antes da concessão dessa autorização, acentuando o desgaste nas relações bilaterais.




