Dom Peter Kohlgraf, bispo de Mainz, na Alemanha, expressou suas críticas à postura do Vaticano em relação à proibição da pregação leiga durante as missas. Ele considera que a argumentação apresentada pelo cardeal Arthur Roche, que lidera o Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, não é totalmente consistente. A polêmica surgiu após a rejeição, em junho, de um pedido da Conferência Episcopal Alemã para que leigos comissionados pudessem pregar em substituição ao sacerdote em situações excepcionais.
Kohlgraf afirmou que, embora a Diocese de Mainz respeite a proibição vigente, a prática de leigos pregando nas missas já se tornou comum em algumas paróquias. Ele declarou que não tomará medidas para proibir essa prática, reconhecendo que, na prática, a pregação leiga ocorre em várias ocasiões. "A carta do prefeito da liturgia afirma que apenas o sacerdote que celebra a missa pode pregar", explicou o bispo, ressaltando que isso também se aplica a diáconos e sacerdotes concelebrantes.
O bispo de Mainz enfatizou que, embora a Diocese siga a diretriz de que leigos não devem pregar homilias, ele não pretende intervir disciplinarmente. "Na prática, estabeleceu-se que isso acontece de tempos em tempos, e eu não vou mudar isso", afirmou. Kohlgraf também deixou claro que não pode conceder permissão para que uma mulher que trabalha Na Diocese, por exemplo, possa pregar, pois isso contraria o direito canônico.
Kohlgraf ainda mencionou que, em algumas paróquias, a pregação leiga é uma prática aceita, e que quando ele toma conhecimento disso, não intercede de forma punitiva. Ele declarou que apenas registra a situação e a repassa aos líderes das paróquias envolvidas, sem promover ou incentivar essa prática. "Simplesmente tomo nota de que em algumas paróquias tal prática se estabeleceu", disse o bispo.
O bispo também se mostrou favorável à permissão da pregação leiga, considerando-a uma adição valiosa à Igreja, especialmente quando realizada por trabalhadores pastorais com formação teológica adequada. Contudo, ele reiterou que deve se ater às normas do direito canônico, que delimitam as possibilidades de pregação durante as missas. Kohlgraf destacou que a discussão sobre a pregação leiga é uma questão relevante que tem gerado debate entre os fiéis, com alguns manifestando suas preocupações a ele e até mesmo a autoridades em Roma.
O assunto traz à tona a necessidade de diálogo e reflexão sobre a participação leiga na liturgia, em um contexto em que a Igreja Católica enfrenta desafios e busca formas de se adaptar às demandas contemporâneas. A discussão sobre a pregação leiga pode ser vista como parte do Caminho Sinodal, que busca um maior envolvimento dos leigos na vida da Igreja e na celebração dos sacramentos.




