O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, não esteve presente na sessão da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados na quarta-feira, dia 15. Sua convocação tinha como objetivo esclarecer uma declaração do Itamaraty que mencionou o risco de uma possível ação militar dos Estados Unidos em solo brasileiro.
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), presidente da comissão, abriu a reunião afirmando que não houve confirmação clara sobre a ausência do ministro e expressou críticas à postura do governo. Van Hattem classificou a comunicação do Itamaraty como "evasiva e lacônica", sugerindo que isso poderia ser interpretado como crime de responsabilidade.
A sessão estava agendada para as 10h, horário em que Mauro Vieira participou de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio do Planalto. O Ministério das Relações Exteriores enviou um ofício à comissão, informando sobre a impossibilidade de comparecimento e argumentando que a definição de datas para convocações é geralmente discutida entre o governo e a Câmara.
Em julho, Vieira havia solicitado o adiamento da audiência para o período entre 11 e 14 de agosto, alegando que esse intervalo seria mais apropriado. Contudo, a comissão decidiu manter a convocação para o dia 15, data que coincide com o término das negociações sobre tarifas que os Estados Unidos pretendem impor a produtos brasileiros.
Além da convocação na Câmara, a Comissão de Relações Exteriores do Senado também aprovou um convite para que o chanceler preste esclarecimentos sobre o mesmo assunto, embora esse convite não tenha caráter obrigatório.
Mauro Vieira foi convocado para explicar a posição do governo brasileiro em relação à possibilidade de que os Estados Unidos classifiquem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Os deputados desejavam ouvir o chanceler sobre um ofício do Itamaraty que alertava sobre as implicações diplomáticas dessa classificação, que poderia abrir espaço para ações unilaterais por parte dos EUA.




