Na tarde de hoje (24), um 3º sargento da Polícia Militar de Ponta Porã foi liberado, após permanecer detido desde abril deste ano. O policial estava sendo investigado por uma abordagem considerada truculenta, em que uma característica física, seu bigode, foi utilizada para sua identificação. A decisão pela soltura foi fundamentada na análise de um vídeo que, segundo a advogada Alana Mattos, demonstrou que o reconhecimento do sargento não apresentava segurança suficiente para justificar a manutenção da prisão.
Alana Mattos, que representa o sargento, esclareceu que, após a análise do material audiovisual, ficou evidente que o procedimento de reconhecimento não tinha o grau de segurança necessário. "O magistrado concluiu que isso fragiliza a identificação do acusado e, consequentemente, a justificativa para a custódia cautelar", afirmou a advogada. O vídeo que favoreceu a defesa não foi divulgado, pois o processo está sob segredo de justiça, embora tenha sido solicitado que se tornasse público, aguardando análise.
A denúncia que levou à prisão do sargento foi feita por um servidor público, proprietário de uma transportadora, que relatou ter sido vítima de abuso de autoridade por parte de uma equipe do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR) em 2 de setembro de 2025. O homem, de 45 anos, afirmou que os policiais o obrigaram a sair de sua caminhonete Toyota Hilux, o colocaram ajoelhado e exigiram a entrega de supostas drogas.
Além disso, o servidor denunciou que um dos policiais, identificado como “policial de bigode”, o forçou a desbloquear seus celulares, acessando mensagens pessoais, incluindo conversas íntimas com sua esposa. O caso gerou uma investigação pela Corregedoria da PM, além de uma apuração paralela pelo Gacep, que é o Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial.
O sargento ainda acionou o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra membros do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) pela denúncia apresentada à Justiça. Ele alega que não estava presente na ocorrência investigada e que já havia sido alvo de um Inquérito Policial Militar (IPM), que identificou os policiais envolvidos, mas foi arquivado por falta de provas. Outro policial que também foi apontado na denúncia foi preso, mas não foi possível confirmar se a liberdade dele também foi concedida, pois a reportagem não conseguiu acessar o processo nem localizar a defesa.




