O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, anunciou nesta quarta-feira (24) que a organização está pronta para retomar as inspeções em instalações nucleares do Irã. No entanto, o regime iraniano rapidamente negou que tenha havido qualquer acordo que permitisse a entrada de inspetores em seu território.
Durante uma coletiva de imprensa na usina nuclear de Fukushima, no Japão, Grossi ressaltou a importância de um memorando de entendimento assinado por Estados Unidos e Irã, conhecido como Memorando de Islamabad. Ele enfatizou que esse documento estabelece diretrizes que devem ser seguidas para a supervisão das atividades nucleares, destacando que as inspeções são uma parte essencial desse processo.
Grossi também comentou sobre as recentes declarações políticas vindas do Irã, que desqualificaram as afirmações do presidente dos EUA, Donald Trump, e do vice-presidente J.D. Vance, sobre a suposta aceitação do regime para a entrada de inspetores da AIEA. "Consigo compreender as declarações políticas; elas fazem parte da realidade", afirmou o diretor, enfatizando a clareza do acordo existente.
O diretor-geral da AIEA disse que, independentemente do cronograma, as inspeções ocorrerão. "Se isso vai acontecer depois de amanhã, em uma semana ou em dez dias — embora seja importante, não é o essencial. [Mas] vai acontecer", afirmou, reiterando a determinação da agência em cumprir seu papel de supervisão.
Em resposta às declarações de Grossi, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, reiterou que não há qualquer compromisso para permitir o acesso dos inspetores. Ele afirmou que não houve reunião entre Grossi e representantes iranianos na Suíça, onde ocorreu um encontro entre representantes dos EUA e do Irã, e que não existe plano para conceder acesso às instalações nucleares.
Gharibabadi também destacou que a questão das inspeções deve ser discutida dentro de um acordo final, que inclui a eliminação de sanções impostas pelos Estados Unidos. Ele criticou a abordagem de pressão e retórica midiática, afirmando que o Irã não aceitará medidas que considerem como tentativas de controle sobre suas operações nucleares.




