A aceleração do capitalismo, marcada pelo aumento da concentração do poder econômico e tecnológico, tem apresentado consequências significativas para a vida em sociedade. Essa dinâmica, especialmente evidente no setor de produtos e serviços digitais, intensifica a desigualdade e a exclusão. O fenômeno das "big techs" exemplifica como o poder tecnológico se traduziu em influência financeira e política, criando um ciclo vicioso onde cada vez mais lucro resulta em novos investimentos, perpetuando a disparidade de oportunidades.
Nos últimos anos, especialmente em meio aos efeitos remanescentes da pandemia, a saúde emocional da população está em deterioração alarmante. Esse fenômeno, embora não amplamente discutido nas pesquisas médicas e sociais, se manifesta no cotidiano através de condições como burnout, crises de ansiedade e até transtornos mais severos, como esquizofrenia. O cenário é agravado por guerras e conflitos que espalham dor e sofrimento, além de um aumento em atos de violência no dia a dia, que incluem agressões em ambientes públicos e domésticos.
A cultura contemporânea também reflete essa realidade através de jogos eletrônicos que apresentam conteúdos de violência extrema, como Tormentor e Resident Evil Requiem (RE9). Esses simuladores não apenas promovem a tortura e a morte, mas também refletem um estado emocional deteriorado, onde a dor é central tanto nas experiências reais quanto nas ficcionais.
Esse contexto de individualismo exacerbado e descontrole emocional se relaciona com conceitos discutidos por Freud em sua análise sobre o "Mal-estar na cultura". A capacidade de sonhar e vislumbrar um futuro melhor se torna insuportável em meio a essa crise. A lógica algorítmica presente nas plataformas digitais contribui para a homogeneização de experiências, aniquilando a diversidade de expressões culturais.
Até mesmo ícones de nossa cultura, como o urso polar da Coca-Cola, se tornam representações de desespero, como retratado em uma propaganda da Pepsi durante o Super Bowl 2026. O humor e a ludicidade não conseguem disfarçar a crise existencial que permeia essas narrativas. Diante desse panorama, a construção de espaços comuns, a partilha e a promoção da cultura da paz aparecem como alternativas necessárias e urgentes, não apenas para um pequeno grupo, mas para a sociedade como um todo.




