O Ministério do Interior da Espanha informou nesta sexta-feira (31) que estimativas apontam que aproximadamente 49 mil migrantes ingressaram no enclave de Ceuta, no Norte de África, nas últimas 24 horas, atravessando por mar e por terra a partir de Marrocos.
Em resposta ao aumento repentino de chegadas, Espanha e Marrocos intensificaram a segurança na cerca que delimita o território espanhol. A medida parece ter surtido efeito, uma vez que as travessias em massa foram interrompidas após a chegada de milhares de pessoas, com a triste constatação de pelo menos 19 corpos encontrados no mar.
A grande onda migratória para Ceuta, uma região controlada pela Espanha que se estende do Marrocos para o Mediterrâneo, provocou divisões na Europa. A Itália manifestou a intenção de avaliar a suspensão do programa de fronteiras abertas do Espaço Schengen, em resposta à crise.
Nas barreiras de entrada de Ceuta, foram utilizados caminhões com canhões de água pelas autoridades marroquinas para dispersar os migrantes. Próximo a esses locais, a presença de um ônibus e sete veículos carbonizados indicava a violência dos confrontos que ocorreram com a multidão.
As autoridades espanholas afirmaram que a prioridade será expulsar rapidamente os migrantes que adentraram o território de forma ilegal. Contudo, uma decisão do Supremo Tribunal impôs novas restrições às regras de “rejeição de fronteira”, que permitem expulsões imediatas.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez estava programado para visitar Ceuta nesta sexta-feira, acompanhado pelo ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. Ceuta e Melilla, outra cidade autônoma espanhola situada no norte de Marrocos, são as únicas localidades da União Europeia que fazem fronteira com a África. Ambas as cidades abrigam aproximadamente 85 mil habitantes cada.




