Irmã Leticia Ugboaja, uma freira católica e enfermeira, compartilhou suas experiências após ser detida por agentes da Agência de Imigração e Alfândega (ICE) no sul do Texas. A coletiva de imprensa, realizada em 23 de julho, foi um momento de desabafo, onde ela revelou que viveu semanas marcadas por 'estresse, ansiedade e medo'. Durante a abordagem, que ocorreu em 28 de junho, enquanto se dirigia à Igreja Nossa Senhora das Dores em McAllen, Texas, a freira expressou seu temor ao ser confrontada por agentes armados em uma manhã que deveria ser comum e espiritual.
"Eu estava com muito medo, com suor frio", relatou Ugboaja. A abordagem inesperada a deixou assustada, especialmente por se sentir vulnerável diante de agentes armados, enquanto apenas portava um rosário, suas chaves e um telefone. Ela enfatizou a dor emocional causada pela situação, afirmando que não iria fingir que não doeu, uma experiência que ainda a afeta profundamente.
A freira, que pertence às Filhas de Maria Mãe da Misericórdia e atua como enfermeira registrada no South Texas Health System, destacou que foi doloroso ouvir a negativa dos agentes quando solicitou a permissão para participar da missa e receber a Comunhão, uma prática considerada obrigatória para os católicos. "Como sabemos, a missa de domingo é obrigatória… é mandatória", mencionou Ugboaja, refletindo sobre a importância desse momento em sua vida espiritual.
Carlos Garcia, advogado de Ugboaja, forneceu informações adicionais sobre sua situação migratória. Ele explicou que um juiz de imigração havia negado seu pedido de asilo em 2019, mas concedeu proteção contra remoção para a Nigéria, com base na Convenção das Nações Unidas Contra a Tortura, alegando que ela estaria em risco de tortura se retornasse ao seu país. Essa proteção legal impede que o governo dos EUA a deportasse, embora ela ainda esteja tecnicamente sob uma ordem de remoção.
A libertação de Ugboaja ocorreu após a intervenção de legisladores, incluindo o deputado federal Henry Cuellar, que comunicou o caso ao secretário do Departamento de Segurança Interna, Markwayne Mullin, e ao czar da fronteira, Tom Homan. No domingo à noite, a freira foi liberada da custódia, retornando à sua casa, onde pode retomar suas atividades religiosas.
Cuellar comentou sobre a abordagem da ICE, afirmando que a forma como a freira foi tratada não era a adequada. Ele destacou que, caso houvesse dúvidas sobre sua situação, deveriam ter sido adotadas maneiras mais apropriadas para lidar com a questão, ressaltando a necessidade de um tratamento mais humano e respeitoso em situações delicadas como essa.




