Neste domingo (21), a Colômbia realizará o segundo turno de suas eleições presidenciais, em um momento histórico para o país. Os candidatos Iván Cepeda e Abelardo de la Espriella representam visões opostas em um pleito que é amplamente permeado pela polarização em relação à segurança pública e ao legado do acordo de paz firmado com a guerrilha das Farc.
Iván Cepeda, senador de esquerda e ex-ativista de direitos humanos, conta com o apoio do atual presidente Gustavo Petro. Em contrapartida, Abelardo de la Espriella, advogado de direita nacionalista, adota uma postura mais rigorosa em relação à criminalidade e às guerrilhas, posicionando-se como um opositor direto ao governo atual.
O pacto de paz, assinado em 2016, é o tema central das discussões nesta eleição, completando dez anos. Apesar de ter contribuído para a redução da violência extrema que assolou a Colômbia por décadas, muitos cidadãos expressam frustração com a percepção de que as promessas de pacificação não foram cumpridas. Esse sentimento de insatisfação favorece a candidatura de Espriella, que critica as concessões feitas aos criminosos no passado.
O candidato Cepeda defende a continuidade da estratégia conhecida como 'Paz Total', que visa a negociação com os grupos armados remanescentes e a implementação de reformas sociais. Em contraste, Espriella opta por uma abordagem de repressão direta, inspirando-se no modelo de El Salvador, adotado por Nayib Bukele, e propõe a construção de megaprisões, além de uma ofensiva contundente contra guerrilhas e narcotraficantes, sem a intenção de abrir novas negociações.
A Colômbia enfrenta um estado de estagnação em relação à violência. Embora os índices de criminalidade não sejam tão altos quanto no início dos anos 2000, a taxa de 25 homicídios para cada 100 mil habitantes é considerada epidêmica pela Organização Mundial da Saúde. Recentes crimes contra políticos e atentados a bomba têm gerado apreensão na população, fazendo da segurança o principal tema em discussão durante o pleito.
A geopolítica também desempenha um papel nesse contexto, com o ex-presidente americano Donald Trump manifestando apoio a Espriella. Essa posição foi interpretada pelo presidente colombiano Gustavo Petro como uma tentativa de interferência nas eleições. A decisão deste pleito determinará se a Colômbia seguirá com a agenda atual de Petro ou se retornará a uma abordagem de segurança mais alinhada com as políticas dos Estados Unidos.




