A intensificação do uso de drones pela Ucrânia na guerra contra a Rússia está mudando a dinâmica do conflito, favorecendo Kiev ao atacar o principal ativo do regime de Vladimir Putin: o setor de energia. As operações ucranianas visam refinarias de petróleo e embarcações que transportam a commodity, resultando em uma significativa redução das receitas de exportação da Rússia e em desabastecimento no mercado interno.
Relatos indicam que, recentemente, os ataques da Ucrânia atingiram todas as dez maiores refinarias da Rússia, levando analistas a estimar que mais de um quarto da capacidade de refino do país está inativa. Os drones ucranianos, como o Liutyi, que pode percorrer até 2 mil quilômetros, e o FP-1, com alcance de até 2,9 mil quilômetros, têm sido destacados como peças-chave nesse novo cenário, gerando preocupações em Moscou.
Com a capacidade de alcançar alvos distantes, a Ucrânia conseguiu atacar até mesmo a refinaria de Omsk, a maior da Rússia, localizada na Sibéria ocidental, a aproximadamente 2,4 mil quilômetros da fronteira entre os dois países. O coronel da reserva e analista militar Paulo Roberto da Silva Gomes Filho comentou que o país desenvolveu uma ampla gama de drones, variando de sistemas de baixo custo a modelos que podem atingir alvos a grandes distâncias.
Gomes Filho observou que a combinação de escala, diversidade tecnológica e adaptação rápida no programa de drones ucraniano tem sido notável. Ele destacou que as informações obtidas em combate são rapidamente incorporadas pelos fabricantes, que ajustam sistemas de navegação, comunicações e outros aspectos dos drones, permitindo uma evolução constante da tecnologia utilizada.
A Rússia, tradicionalmente uma potência no setor energético, está enfrentando um cenário desafiador. O crescimento da produção de petróleo, que variou de 1% a 1,5% entre março e abril, desacelerou em maio e entrou em queda em junho. Embora ainda seja cedo para afirmar que uma recessão se instalou, há previsões de que, se a produção de petróleo não se recuperar, o PIB anual do país poderá sofrer uma contração de 1% a 1,5% até 2026.
Gomes Filho ainda apontou que a Rússia encontra dificuldades para responder efetivamente à ofensiva ucraniana com drones, uma vez que precisa proteger um vasto território e múltiplas infraestruturas críticas, incluindo refinarias, depósitos, bases aéreas e centros de comando. Ele alertou que a falta de sistemas de defesa aérea suficientes torna difícil a proteção simultânea de todas essas instalações, o que permite que a Ucrânia identifique alvos menos protegidos ou ataque múltiplos pontos, exigindo uma dispersão das defesas antiaéreas russas.




