O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caracterizou Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, como "muito volátil" em uma entrevista exibida no programa The Axios Show, do portal Axios, na última sexta-feira (19). Durante a conversa, Trump comentou sobre diferentes estilos de liderança global e mencionou que tem acompanhado os discursos recentes do petista, observando que Lula demonstrou mudanças em seu comportamento ao longo do tempo. O republicano afirmou que o presidente brasileiro "é um tipo diferente de pessoa agora" e destacou a natureza "volátil" de suas intervenções.
Ao ser questionado se era fã de Lula, Trump respondeu que "não poderia se importar menos" com o presidente brasileiro. Essa declaração surge pouco tempo após Lula criticar o governo dos EUA durante a cúpula do G7 na França, onde expressou sua insatisfação com o comportamento da administração americana e classificou Trump como alguém com "comportamento de imperador" e um "mau exemplo para a democracia".
Apesar de não terem se cumprimentado na foto oficial do G7, Lula e Trump tiveram uma breve interação logo após. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram o presidente americano apertando a mão do brasileiro e expressando um desejo de "bom trabalho" antes de se afastar.
Em maio, os dois líderes se encontraram na Casa Branca, onde Trump teve uma postura mais positiva em relação a Lula, descrevendo a reunião como "muito boa" e referindo-se ao presidente brasileiro como "dinâmico". Contudo, a relação entre Brasil e EUA voltou a ser marcada por divergências em questões diplomáticas e comerciais, especialmente após a decisão do governo americano de classificar facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas, o que gerou críticas do governo Lula.
Além disso, investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) propuseram a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre algumas importações brasileiras, alegando práticas comerciais desleais. Em outra investigação, o USTR sugeriu uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos do Brasil, justificando que o país não teria adotado medidas adequadas para combater o comércio de bens relacionados ao trabalho forçado.
Durante seu discurso no G7, Lula enfatizou que o combate ao crime organizado deve "respeitar a soberania dos Estados", uma declaração que foi interpretada como uma mensagem direcionada a Trump. Ele também criticou o "ressurgimento do protecionismo e do unilateralismo", em um tom que parecia ser uma crítica à política externa dos EUA.




