O regime comunista de Cuba aprovou um abrangente pacote de reformas econômicas, considerado o maior em 15 anos, em meio a uma severa crise econômica e energética e sob a pressão do governo dos Estados Unidos. O conjunto de medidas foi anunciado pelo ditador Miguel Díaz-Canel, recebeu a aprovação do Comitê Central do Partido Comunista e foi ratificado pela Assembleia Nacional em um prazo de apenas uma semana.
De acordo com informações, o pacote contém 176 reformas e representa uma das mais significativas tentativas de reformulação da economia cubana desde o início do governo de Raúl Castro, que enfrenta desafios legais por parte da Justiça americana. Entre as principais mudanças estão a expansão do setor privado, incentivos para atrair investimentos estrangeiros, maior autonomia para empresas estatais e municípios, além de alterações nos setores de turismo, agricultura, comércio exterior e mercado imobiliário.
Em seu discurso no Parlamento cubano, que é controlado pelo Partido Comunista, Díaz-Canel reconheceu a gravidade da crise que a ilha atravessa, afirmando que Cuba enfrenta “as horas mais difíceis deste século”. O líder do regime defendeu a necessidade de mudanças significativas para superar a situação, ressaltando que “é tempo de mudar tudo o que precisa ser mudado”.
Nos últimos seis meses, a administração do presidente Donald Trump aumentou a pressão sobre Havana, exigindo reformas estruturais e restringindo quase totalmente a entrada de petróleo e derivados no país, o que agravou a escassez de combustíveis e resultou em apagões frequentes. A crise energética atingiu níveis alarmantes, com dados da União Elétrica de Cuba (UNE) indicando que algumas áreas da ilha recebem apenas duas horas de eletricidade a cada três dias. Na última sexta-feira (19), a UNE estimou que até 69% do país poderia ficar sem energia ao mesmo tempo durante os horários de pico de demanda.
As reformas visam corrigir as distorções do sistema monetário cubano, que atualmente opera com duas moedas e taxas de câmbio diferentes, além de um mercado informal predominante. O pacote também inclui alterações no sistema tributário e a substituição gradual dos subsídios universais por programas focados na população mais vulnerável.
Apesar da pressão exercida por Washington, Díaz-Canel enfatizou que as mudanças não foram impostas externamente, mas sim uma decisão “soberana” do país para enfrentar os problemas internos e modernizar a economia. Além disso, o regime cubano já formou um grupo de especialistas, incluindo economistas críticos e não alinhados ao governo, para avaliar novas mudanças econômicas que poderão ser implementadas nos próximos meses.




