O governo japonês expressou forte descontentamento nesta quinta-feira (13) em relação à visita realizada por Vladimir Putin às Ilhas Curilas, cuja soberania é contestada entre Rússia e Japão. A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou que a passagem de Putin por Iturup, que o Japão chama de Etorofu, é "absolutamente inaceitável" e piora o sentimento nacional em relação à Rússia. Takaichi enfatizou que o arquipélago é "território inerente ao Japão, histórica e juridicamente, à luz do direito internacional".
O ministro das Relações Exteriores japonês, Toshimitsu Motegi, reiterou a posição do governo, destacando que as ilhas são "território inerentemente japonês, tanto histórica quanto juridicamente" e que Tóquio protesta veementemente contra a visita do líder russo. Como parte de sua resposta, o Japão convocou o embaixador da Rússia em Tóquio, Nikolai Nozdriev, para manifestar sua indignação.
A Visita de Putin às Curilas marca um ponto importante em uma disputa que se arrasta há mais de 80 anos. As ilhas foram ocupadas pela Rússia ao final da Segunda Guerra Mundial, momento em que cerca de 17 mil japoneses foram expulsos do arquipélago. Desde então, Japão e Rússia não conseguiram estabelecer um acordo de paz, em parte devido a essa pendência territorial, que envolve quatro ilhas conhecidas pelo Japão como Territórios do Norte.
Durante os mandatos do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, entre 2006 e 2007 e de 2012 a 2020, houve tentativas de aproximação com a Rússia para solucionar essa disputa e facilitar o diálogo, especialmente em um contexto de relações deterioradas com a China e a Coreia do Norte. No entanto, a adesão do Japão às sanções ocidentais contra a Rússia, em consequência da invasão à Ucrânia, levou a um novo esfriamento nas relações entre Tóquio e Moscou.
As forças armadas russas têm realizado exercícios militares na região das Curilas, incluindo um recentemente em conjunto com a China, o que gerou críticas por parte do Japão. A Visita de Putin a Iturup faz parte de uma série de compromissos em território russo, onde o líder também se manifestou sobre as capacidades de resposta das forças russas em relação a apreensões de navios que transportam mercadorias alvo de sanções, durante uma visita a um cruzador lança-mísseis da Frota do Pacífico na ilha de Sacalina no dia anterior, 12 de outubro.




