Os terremotos que devastaram a Venezuela completam um mês nesta sexta-feira, 24, e o cenário de caos continua a se agravar no país. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou que aproximadamente 6 mil pessoas permanecem acampadas nas ruas de La Guaira e na capital, Caracas, sem acesso a abrigo adequado ou serviços essenciais.
De acordo com informações do governo de Delcy Rodríguez, mais de 23 mil pessoas estão alojadas em 107 acampamentos temporários, que foram estabelecidos para abrigar as famílias afetadas pelos sismos. No entanto, a falta de transparência histórica do regime dificulta a obtenção de dados precisos sobre a tragédia. As autoridades venezuelanas confirmaram a morte de quase 5,4 mil pessoas, enquanto a plataforma independente Desaparecidos Terremoto Venezuela reporta que 29.475 indivíduos ainda não foram localizados.
Uma reportagem da CNN em Espanhol destacou que os socorristas internacionais, que desempenham um papel fundamental nas operações de busca e resgate, estão começando a deixar a Venezuela. O grupo mexicano Los Topos de Tlatelolco, especializado em resgates, anunciou sua retirada há três semanas, considerando encerrada a chamada “janela biológica” para encontrar sobreviventes, e começou a facilitar a entrada de maquinário pesado para a busca de corpos nos escombros.
Além disso, a Espanha encerrou nesta semana a missão de seu hospital de campanha, que havia sido montado no Parque Francisco de Miranda, em Caracas, logo após os tremores. A situação humanitária na Venezuela, já crítica, se agrava com o passar dos dias, e muitos cidadãos ainda enfrentam a incerteza de não saberem a localização de seus entes queridos.
O líder oposicionista Edmundo González, que venceu as eleições presidenciais de 2024, mas não assumiu devido a fraudes que mantiveram Nicolás Maduro no poder, criticou a resposta do governo de Rodríguez aos terremotos. Em uma publicação no X, ele destacou que a deterioração das instituições, a corrupção e a falta de transparência já eram problemas preexistentes, que agora se tornaram mais evidentes diante da tragédia.
González salientou que a responsabilidade dos governantes é garantir proteção à população em momentos de crise. Ele afirmou que, embora não seja possível evitar os tremores, é essencial que os que estão no poder respondam adequadamente quando o país enfrenta uma das maiores catástrofes naturais de sua história. A situação na Venezuela continua a ser um reflexo das decisões políticas tomadas ao longo de quase três décadas de governo chavista, iniciado em 1999.




