A renúncia de Keir Starmer, ocorrida na última segunda-feira (22), gerou uma disputa significativa dentro do Partido Trabalhista, com Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester, emergindo como o candidato favorito para suceder a liderança da legenda. Burnham, que recentemente foi eleito deputado pela região de Makerfield, no noroeste da Inglaterra, confirmou sua intenção de concorrer à liderança do partido após a saída de Starmer. Caso vença a disputa interna, Burnham assumirá automaticamente o cargo de primeiro-ministro, dado que o Partido Trabalhista detém a maioria na Câmara dos Comuns.
A ascensão de Burnham acontece em um contexto de crise para os trabalhistas, que enfrentam uma queda nas pesquisas de opinião e o avanço do partido de direita Reform UK, liderado por Nigel Farage. A vitória de Burnham na eleição complementar em Makerfield, realizada na semana passada, foi interpretada como um sinal positivo para os trabalhistas, indicando que ele pode ser a chave para revitalizar a legenda e enfrentar a crescente popularidade da direita nacionalista.
Burnham, que cresceu em uma família católica, poderia se tornar o primeiro primeiro-ministro britânico da era contemporânea a se identificar abertamente como católico, destacando a influência de sua fé em sua trajetória política. Nos últimos nove anos, ele exerceu a função de prefeito da Grande Manchester, uma das maiores regiões metropolitanas do Reino Unido, e se destacou por defender uma maior intervenção do Estado na economia, além de confrontar governos de diferentes espectros políticos.
Uma de suas iniciativas mais polêmicas foi a reestatização do sistema de ônibus da região, tornando a Grande Manchester a primeira área da Inglaterra em quatro décadas a retirar a operação do transporte coletivo das mãos de empresas privadas. Essa medida foi bem recebida por sindicatos e setores da esquerda britânica, embora tenha gerado críticas e receios sobre sua identidade política. Esse aspecto é relevante, já que os premiês britânicos recentes geralmente eram anglicanos, ateus ou de outras crenças, como o hindu Rishi Sunak.
Embora Boris Johnson tenha sido batizado católico, ele se tornou anglicano e casou-se na catedral de Westminster em 2021, sem se declarar abertamente católico. Por outro lado, Tony Blair se converteu ao catolicismo apenas após deixar o cargo de primeiro-ministro. Burnham, ao contrário, sempre manteve uma ligação pública com sua formação católica, frequentemente afirmando que a doutrina social da Igreja influenciou sua visão política.
A eleição interna do Partido Trabalhista está marcada para começar em 9 de julho, com a expectativa de que um novo líder seja escolhido até setembro.




