O Papa Leão XIV fez uma importante declaração sobre a dignidade da vida humana em todas as suas fases durante uma audiência no Vaticano, na última segunda-feira. Ele enfatizou que "nenhum médico deve jamais permitir-se, com base em algoritmos de laboratório, decidir sobre a vida de um embrião ou de uma pessoa idosa". A afirmação foi feita em 22 de junho, quando o pontífice se encontrou com membros da Fundação Jérôme Lejeune, destacando os riscos de uma medicina que se submete a critérios utilitaristas.
A Fundação Jérôme Lejeune, que começou suas atividades na França em 1995 após o falecimento do geneticista Jérôme Lejeune, é reconhecida por seu trabalho em defesa da vida. Lejeune é considerado o pai da genética moderna por ter descoberto, em 1958, a causa genética da trissomia 21, conhecida como síndrome de Down. A fundação destina cerca de quatro a cinco milhões de euros anualmente para pesquisas, o que corresponde a aproximadamente US$ 4,5 a 5,7 milhões, e mantém um biobanco em Paris com mais de 20.000 amostras, além de operar centros médicos em locais como Paris, Nantes, Madri e Córdoba.
Durante seu discurso, o Santo Padre expressou seu apoio ao trabalho realizado pela fundação e encorajou seus membros a persistirem na luta pela dignidade humana. Ele recordou a figura do geneticista francês, cuja causa de beatificação avançou após o Papa Francisco, em 2021, ter reconhecido suas virtudes heroicas. Embora a descoberta de Lejeune tenha trazido reconhecimento internacional, ela também foi utilizada pela indústria do aborto para identificar fetos com síndrome de Down, algo que o cientista sempre rejeitou.
Na ocasião, que coincidiu com o centenário do nascimento de Jérôme Lejeune, o papa destacou a dedicação do pesquisador às crianças com deficiência. "Comovido pela difícil situação de crianças com deficiência, o professor Lejeune dedicou sua vida a elas como pesquisador científico", afirmou. Leão XIV ressaltou que o valor da vida humana não deve ser medido pelo que uma pessoa realiza ou produz, reafirmando a importância de reconhecer a dignidade intrínseca de cada indivíduo.
Por fim, o pontífice agradeceu aos membros da Fundação Lejeune e aos familiares do venerável Lejeune presentes na audiência. Ele também fez uma menção especial aos "queridos amigos com trissomia 21" e seus pais. O papa concluiu sua fala incentivando a promoção de uma cultura da vida e do bem comum, além de impartir sua bênção apostólica, estendendo-a às famílias e aos pacientes atendidos pela instituição.




