O Supremo Tribunal da Espanha anunciou nesta segunda-feira (22) a condenação de José Luis Ábalos, ex-ministro dos Transportes sob o governo de Pedro Sánchez, a 24 anos e três meses de prisão. A decisão foi tomada em decorrência de irregularidades na aquisição de máscaras durante a pandemia de Covid-19, além de contratações irregulares em empresas públicas. Este caso envolve também o ex-assessor Koldo García, que recebeu a pena de 19 anos de prisão, e Víctor de Aldama, um comissionista que confessou ter pago propinas e foi condenado a quatro anos e meio, mas não irá para a prisão devido a um acordo de colaboração com a Justiça.
A sentença foi proferida por unanimidade pelos sete magistrados do tribunal, que consideraram Ábalos e García culpados de crimes como organização criminosa, suborno, peculato e tráfico de influência. O veredito ressalta a grave deterioração da confiança do público nas instituições políticas, consequência da corrupção que envolveu esses indivíduos. Os dois condenados já estavam em prisão preventiva durante o processo judicial.
A situação de Aldama é a mais favorável entre os réus, uma vez que sua pena foi suspensa, condicionada à não prática de novos crimes, à apresentação de relatórios semestrais de atividades e ao cumprimento de um ano de serviços comunitários. Aldama, que já havia enfrentado um período de mais de um mês em prisão preventiva por uma investigação relacionada a fraudes com combustíveis, decidiu colaborar com as autoridades e alegou que tanto Ábalos quanto seu assessor exigiram propinas em troca de favorecimentos em contratos de compras de máscaras.
A condenação de José Luis Ábalos representa um novo desafio para Pedro Sánchez, que já enfrenta dificuldades com diversos membros de sua equipe política sendo acusados de corrupção. Recentemente, em maio, a Guarda Civil da Espanha realizou operações na sede do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), em Madri, no âmbito de uma investigação sobre irregularidades que envolvem a ex-militante Leire Díez e outros indivíduos, conduzida pelo juiz Santiago Pedraz, da Audiência Nacional.
Além disso, a esposa do primeiro-ministro, Begoña Gómez, está prestes a enfrentar julgamento por acusações de tráfico de influência. Neste contexto, o ex-primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, que ocupou o cargo de 2004 a 2011, também se tornou alvo de investigações criminais neste ano, aumentando a pressão sobre o governo socialista em meio a um cenário de crises políticas e jurídicas.




