Na quarta-feira, 22, o governo de Donald Trump revelou um acordo nuclear com a Arábia Saudita, que visa estabelecer um marco para a cooperação civil em energia nuclear. Essa iniciativa provoca reações intensas de políticos americanos e de Israel, que expressam preocupações sobre a possibilidade de uma corrida por armas nucleares no Oriente Médio.
O pacto permite que empresas dos Estados Unidos acessem o mercado de energia nuclear saudita, com o objetivo de ajudar o país a diversificar sua economia, atualmente dependente do petróleo. A proposta inclui investimentos em fontes de energia mais limpas, seguindo padrões internacionais de segurança e não proliferação.
Entretanto, líderes de Israel, como Naftali Bennett, alertam que o programa, mesmo que classificado como civil, pode ser um passo inicial para o desenvolvimento de armas nucleares pela Arábia Saudita. Eles consideram o acordo uma falha estratégica que pode comprometer a segurança israelense, já que o domínio sobre a tecnologia de enriquecimento de urânio poderia potencialmente sair do controle.
O receio é que essa nova dinâmica leve a uma corrida armamentista na região. Autoridades sauditas já manifestaram anteriormente que desenvolveriam armas nucleares caso o Irã fizesse o mesmo. Críticos do acordo também acreditam que ele pode desestimular o Irã a restringir seu programa nuclear, intensificando a tensão militar entre as potências do Oriente Médio.
Trump afirmou que a implementação do acordo está condicionada ao estabelecimento de relações diplomáticas oficiais entre a Arábia Saudita e Israel. Além disso, o governo americano enfatiza que o acordo atual não contempla o enriquecimento de urânio pela Arábia Saudita, na tentativa de mitigar os temores sobre o uso militar do material.
Especialistas alertam que conceder capacidade nuclear a um país vizinho de áreas de conflito apresenta riscos significativos. O enriquecimento de urânio em níveis baixos (até 5%) é destinado à energia, enquanto níveis acima de 20% sugerem intenções militares. A Arábia Saudita busca, com essa iniciativa, a chamada 'dissuasão', visando garantir poder tecnológico suficiente para desencorajar ataques de adversários, como os houthis e o regime do Irã.




