A prefeitura de Paris, sob a gestão do prefeito socialista Emmanuel Grégoire, formalizou um pedido ao governo do presidente Emmanuel Macron para que inicie uma investigação a respeito da Casa Argentina. Essa instituição, que funciona como residência universitária e centro cultural, está situada na Cidade Internacional Universitária de Paris (CIUP) e é vinculada à Secretaria da Educação do governo argentino, liderado por Javier Milei.
Em uma carta endereçada ao Ministério das Relações Exteriores da França no final de julho, a prefeitura expressa preocupações sobre diversas questões relativas ao local, incluindo a alegação de que estaria promovendo a “difusão de ideologias de extrema direita”. A direção da Casa Argentina é ocupada por Santiago Muzio, advogado que demonstra apoio a Milei.
No documento, a administração parisiense acusa a gestão atual da Casa Argentina de infringir os valores e regulamentos da Cidade Internacional Universitária. A prefeitura menciona ter recebido relatos sobre decisões de despejo e a não renovação de contratos de residentes, que impactam a vida de vários moradores, sem que alternativas de habitação a longo prazo tenham sido apresentadas antes do início do ano letivo.
Outro ponto levantado na carta refere-se à retirada de placas que homenageavam as 30 mil vítimas desaparecidas durante a ditadura argentina, entre 1976 e 1983. Esta ação é considerada um ataque grave à memória das vítimas e à história da Casa Argentina, conforme argumenta o documento.
Além disso, a correspondência menciona que reuniões políticas têm ocorrido no local, com a presença de figuras como Marion Maréchal Le Pen, sobrinha da líder da direita nacionalista, Marine Le Pen, e outros apoiadores. A prefeitura lamenta que, segundo relatos, encontros que promovem ideologias de extrema direita, negacionistas do Holocausto e discriminatórias estejam sendo realizados em uma universidade de prestígio internacional.
A administração municipal de Paris também comunicou a presidência da Cidade Internacional Universitária e o Ministério do Ensino Superior, Pesquisa e Espaço da França sobre suas preocupações. Contudo, até o presente momento, não há informações sobre a abertura de uma investigação para apurar os fatos e resolver a situação.




