O governo de Donald Trump anunciou que o Brasil foi incluído em uma investigação que investiga a entrada ilegal de mercadorias de terceiros países, com o objetivo de evitar a aplicação de tarifas. A prática, chamada de transbordo, pode incluir ações como reetiquetagem, reembalagem e declarações falsas sobre o país de origem dos produtos.
No relatório divulgado pela Casa Branca, o Brasil é mencionado como parte de um grupo de países que, segundo a investigação, participa de uma rede paralela de transbordo, ao lado de Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã. A investigação aponta que produtos que anteriormente eram enviados diretamente da China para os Estados Unidos agora estão sendo encaminhados por meio de jurisdições onde pequenas alterações podem criar a impressão de uma origem nacional diferente.
O relatório classifica como "mercadorias ligadas à China" aquelas que, embora não sejam declaradas como de origem chinesa, apresentam indícios substanciais de controle ou conteúdo chinês. Esses indícios podem incluir componentes de origem chinesa, relações com fornecedores chineses e etapas de produção realizadas na China.
De acordo com a investigação, a prática de transbordo contribuiu para a formação de uma rede global de produção e logística, com diferentes plataformas e centros de reexportação. O Brasil e a Turquia são destacados como "plataformas regionais maiores" que possibilitam redirecionamentos de produtos entre o Pacífico e o Atlântico, junto com Argentina, Chile, Colômbia e Peru.
O Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca estima que o potencial de transbordo ilegal pode variar entre US$ 34,2 bilhões e US$ 89,6 bilhões. Essa nova investigação surge em um momento em que o Brasil já enfrenta a imposição de tarifas de 25% relacionadas a uma investigação sobre comércio digital e 12,5% por causa de outra investigação sobre trabalho forçado.




