A defesa do soldado do Exército Victor Vicentin Rocha, de 22 anos, que está sendo acusado de homicídio com dolo eventual e embriaguez ao volante, protocolou um pedido à Justiça para que seja instaurado um incidente de insanidade mental. O objetivo é avaliar se o militar tinha a capacidade de compreender a ilicitude de seus atos no momento em que atropelou e causou a morte da vigilante Miriam Rosa Matos, de 44 anos. Os advogados Renato da Rocha Ferreira e Patrícia Sanches Ferreira argumentam que há "dúvida razoável e robusta" sobre a imputabilidade penal de Victor.
No processo, foram anexados documentos provenientes do Hospital Militar de Área de Campo Grande e do Hospital Psiquiátrico Nosso Lar, que corroboram a tese da defesa. De acordo com os relatos, Victor possui um histórico de distúrbios psíquicos significativos e até tentativas de suicídio antes do incidente. Em maio de 2025, ele passou quase um mês internado no Hospital Nosso Lar. Os diagnósticos mencionam transtornos psicóticos, de humor e um transtorno depressivo recorrente, além de um uso irregular das medicações prescritas.
A defesa ressalta que é crucial determinar se a embriaguez, embora voluntária, pode ter agido como um fator que agravou ou desencadeou o quadro psiquiátrico do soldado, afetando sua capacidade de discernimento e controle no momento do acidente. O documento também destaca que, quatro dias após o atropelamento de Miriam, ocorrido em 24 de junho de 2026, Victor foi submetido a um atendimento de emergência psiquiátrica no Hospital Militar, onde foi diagnosticado com Transtorno Depressivo Maior, apresentando ideação suicida e forte sentimento de culpa.
Além da realização da perícia, a defesa pediu a suspensão imediata do processo e a nomeação de um curador para acompanhar o réu, além da manifestação do Ministério Público Estadual (MPMS). Em 5 de agosto, o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida aceitou o pedido para a instauração do incidente de insanidade mental.
O acidente que resultou na morte de Miriam Rosa Matos ocorreu quando Victor, sob efeito de álcool, dirigia em alta velocidade uma caminhonete Chevrolet S10. Após colidir com um Volkswagen Virtus, ele fugiu e, ao avançar um sinal vermelho na Rua Padre João Crippa, colidiu com a motocicleta Yamaha Factor pilotada pela vigilante, que não sobreviveu ao impacto. A força do choque fez com que a caminhonete rodasse e danificasse a fachada de uma clínica médica.
O teste do bafômetro realizado após a prisão de Victor indicou 0,42 mg/L de álcool por litro de ar alveolar, e uma garrafa de uísque quase vazia foi encontrada no veículo. O militar foi preso em flagrante no dia do crime e, em julho deste ano, tornou-se réu pelo homicídio simples e por dirigir sob influência de álcool. As penas para esses crimes podem chegar a 23 anos de reclusão.




