A Fifa está enfrentando uma onda de críticas e rejeição em resposta a um ambicioso plano que visa estabelecer uma empresa de US$ 20 bilhões para gerenciar a Copa do Mundo e outros torneios internacionais. O projeto conta com o apoio do banco J.P. Morgan e inclui a holding Thrive Eternal, de Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, que é genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A nova subsidiária, proposta para ser chamada de Fifa Forward Enterprise (FFE), tem como objetivo levantar até US$ 4,2 bilhões neste ano para financiar programas de desenvolvimento. A Fifa destacou que a FFE selecionará investidores de longo prazo que adquirirão participações minoritárias na empresa, enfatizando que essas participações não confeririam controle sobre o futebol.
Entretanto, a proposta rapidamente encontrou resistência. A Uefa, confederação europeia de futebol, anunciou que suas federações nacionais não apoiarão as competições da Fifa. A Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também manifestaram sua oposição à criação da FFE.
Em meio à controvérsia, Carlos Cordeiro, assessor da Fifa e próximo ao presidente Gianni Infantino, decidiu renunciar ao seu cargo por discordar da proposta. Em comunicado divulgado em suas redes sociais, Cordeiro expressou sua insatisfação com a possibilidade de venda de uma participação na Copa do Mundo, afirmando que se opõe veementemente a esse acordo, que considera prejudicial para as federações e para o futuro do futebol.
O debate sobre a proposta ganhou novos contornos quando o político trabalhista Andy Burnham criticou a ideia, afirmando que apenas a Fifa poderia considerar tal venda. Ele questionou a liderança de Infantino à frente da organização, chamando a proposta de “indevida”.
A Fifa, por sua vez, se defendeu, afirmando que “ninguém está vendendo o futebol” e que a proposta jamais seria considerada. A federação ressaltou que o processo de consulta com as associações filiadas foi interrompido devido a informações errôneas veiculadas na mídia, e que pretende continuar esse processo para ouvir as opiniões das 211 associações membros.




