A cidade de Ceuta, situada na costa do norte da África, registrou a chegada de quase 50 mil imigrantes ilegais em um período de apenas algumas horas. A Igreja Católica, por meio da Diocese de Cádiz e Ceuta, liderada pelo administrador apostólico Ramón Valdivia, está mobilizando esforços para fornecer assistência a esses migrantes em situação vulnerável.
Em um comunicado, a diocese manifestou sua "profunda preocupação com a gravidade dos acontecimentos e a particular vulnerabilidade de tantas pessoas afetadas por esta situação". Além disso, reiterou sua disposição para colaborar com instituições civis e órgãos competentes, buscando atender a quaisquer necessidades que possam surgir em decorrência desse fluxo migratório.
Para apoiar essa iniciativa, a diocese decidiu destinar a totalidade das coletas realizadas nas paróquias de Ceuta durante o fim de semana ao ministério diocesano de migrantes. Essa ação visa canalizar ajuda por meio do Centro de Atendimento ao Migrante São Antonio. O comunicado concluiu com um agradecimento aos fiéis e uma convocação para que as comunidades cristãs rezem por aqueles que estão sofrendo e por todos os envolvidos na gestão da situação.
A Comissão para a Pastoral Social e Promoção Humana da Conferência Episcopal Espanhola também se manifestou nas redes sociais, pedindo que as medidas para lidar com essa crise sejam implementadas dentro do marco da lei vigente, com respeito à dignidade humana e evitando a manipulação política.
Os imigrantes estão acessando o território espanhol através da natação em torno do quebra-mar de Tarajal, uma estrutura fronteiriça que se estende pelo mar ao sul de Ceuta, continuando pela cerca que separa a cidade do território marroquino. Essa travessia, que pode levar horas, apresenta riscos significativos, e as autoridades espanholas já relataram a recuperação de mais de 40 corpos.
Em 29 de junho, o Supremo Tribunal da Espanha rejeitou um pedido para que o primeiro-ministro Pedro Sánchez assumisse o comando unificado da situação e implementasse medidas "decisivas". Essa negativa ocorre em um momento em que o número de chegadas supera em muito a última onda migratória que Ceuta vivenciou em 2021, quando cerca de 12 mil pessoas chegaram, um volume quase quatro vezes menor.




