Um padre oriundo da Nicarágua exerce seu ministério na Costa Rica, no entanto, sua vida foi drasticamente alterada quando teve que fugir de seu país devido à repressão do governo local contra a Igreja Católica. Com a esperança depositada em Jesus Cristo, ele reza diariamente pelo dia em que sua pátria será livre novamente.
"Já se passaram 30 meses desde que tive que fugir", revelou o padre, que pediu para permanecer em anonimato por receio de represálias contra seus familiares que ainda residem na Nicarágua. Apesar de atuar em uma paróquia na Costa Rica, ele carrega consigo a saudade da terra que deixou para trás, lembrando-se de sua saída apressada.
O religioso escapou em 2024 após receber um mandado de prisão. Em sua fuga, ele não teve a oportunidade de se despedir de sua mãe ou de qualquer membro da família, um fato que lhe causa profunda dor. "Saí da Nicarágua sem dizer a ela: 'Mãe, estou indo embora'. Não pude me despedir de ninguém; isso dói", lamentou.
O assédio contra o padre teve início em 2018, quando surgiram protestos contra o governo de Daniel Ortega. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a repressão resultou em centenas de mortes e feridos. Durante esse período, ele atuava em apoio a grupos de jovens, prestando assistência e promovendo orações, o que o levou a se envolver diretamente nas manifestações.
Ele começou a pregar sobre dignidade humana e justiça social durante suas missas, clamando por respeito e liberdade para um povo que anseia por justiça. Sua postura provocou a irritação do governo, que intensificou a vigilância sobre suas atividades. O padre relatou que frequentemente recebia ligações ameaçadoras e que militares armados invadiam a igreja para registrar suas homilias.
Ao final de 2023, a pressão se tornou insustentável, forçando-o a deixar sua pátria. O padre enfatizou que muitos outros também compartilham a dor de deixar suas famílias e, mais importante, de abandonar suas missões pastorais. Ele acredita que um dos principais desafios para a Igreja Católica na Costa Rica é oferecer suporte emocional e psicológico aos exilados, ajudando-os a lidar com os traumas do exílio.




