Entretanto, a legislação não se aplica a todos os sites da internet. Exceções significativas foram feitas para plataformas com objetivos educativos ou colaborativos, como a Wikipédia e enciclopédias online, além de softwares de sistema aberto e plataformas voltadas exclusivamente para aprendizado escolar. O intuito é limitar o acesso a conteúdos de entretenimento algorítmico e ambientes que incentivem abusos, preservando o acesso ao conhecimento.
Contudo, a medida tem gerado preocupações entre grupos de direitos digitais, que a consideram uma forma de 'vigilância disfarçada'. A necessidade de verificar a idade de todos os usuários, incluindo adultos, levanta receios sobre a criação de um mecanismo permanente de rastreamento da identidade e das atividades dos internautas, comprometendo a liberdade do anonimato.
Além disso, a nova legislação também impõe restrições no ambiente escolar. A proibição do uso de smartphones, que já era aplicada a alunos do ensino fundamental, foi estendida aos estudantes do ensino médio. A partir do ano letivo de 2026, os alunos franceses deverão manter os aparelhos guardados durante todo o período em que estiverem nas instituições de ensino, com o objetivo de aumentar a concentração na aprendizagem e nas interações presenciais.
A eficácia da nova lei ainda gera incertezas. O único caso comparável até o momento é o da Austrália, que implementou uma regra similar recentemente. Estudos preliminares indicam que cerca de 85% dos jovens australianos continuam a acessar redes sociais utilizando métodos como contas falsas ou navegadores que ocultam a navegação privada. Especialistas alertam que a mudança de comportamento na sociedade pode levar tempo e que a fiscalização representará um grande desafio.




