Um fragmento de tecido encontrado em túmulos romanos em York, na Inglaterra, confirmou uma suspeita de estudiosos: a púrpura de Tiro, o corante mais caro da Antiguidade, chegou a regiões distantes do Império Romano e foi utilizado até mesmo nos funerais de recém-nascidos.
Arqueólogos e químicos da Universidade de York identificaram vestígios desse raro corante, que tem cerca de 1.700 anos, em sepulturas da cidade. A descoberta não apenas revela o luxo presente na Roma Antiga, mas também o contexto em que o pigmento foi encontrado, envolvendo os corpos de dois bebês.
A púrpura de Tiro, também conhecida como púrpura tíria, era extraída de moluscos do gênero Murex. O processo de extração era artesanal e demandava grandes quantidades de matéria-prima para produzir pequenas quantidades do pigmento. A denominação do corante remete à cidade fenícia de Tiro, no atual Líbano, que se destacava na produção desse item valioso.
O corante resultava em uma tonalidade arroxeada intensa, notável por sua resistência ao desbotamento e pela dificuldade de reprodução. Por essas características, o tecido tingido com púrpura se tornou sinônimo de poder e riqueza, custando em certos momentos até três vezes o valor do ouro.
A Sagrada Escritura menciona a púrpura em várias passagens, associando-a sempre a prestígio. No livro de Atos dos Apóstolos, Lídia, uma vendedora de tecido de púrpura, é apresentada como uma mulher influente que se converteu ao cristianismo após ouvir Paulo. Além disso, no Evangelho de Marcos, o corante é usado para zombar de Jesus, que é vestido com um manto púrpura antes de sua crucificação.
Os túmulos em York oferecem uma perspectiva diferente sobre as práticas funerárias da época, revelando famílias que investiam no corante mais caro do mundo e em rituais elaborados para homenagear seus filhos. A arqueóloga Maureen Carroll destaca que essa descoberta reflete a importância das crianças na sociedade romana e a dedicação das famílias em proporcionar uma despedida digna em momentos trágicos.




