Os fortes terremotos que atingiram a Venezuela na última semana provocaram uma reação tardia do governo, aumentando a pressão sobre a ditadora interina Delcy Rodríguez. A resposta do regime chavista foi considerada insuficiente, ocorrendo apenas 48 horas após os sismos, o que gerou críticas sobre a burocracia excessiva e a falta de coordenação nas operações de resgate. Em vez de facilitar o acesso de voluntários e da sociedade civil, o governo optou por militarizar as regiões afetadas, dificultando ainda mais a ajuda necessária.
Cerca de 20 países, incluindo Os Estados Unidos, enviaram rapidamente equipes de resgate e assistência humanitária. No entanto, as tensões políticas se intensificaram, com parlamentares republicanos acusando o governo chavista de obstruir a ajuda. O governo de Donald Trump, embora tenha mantido um canal de comunicação com Delcy Rodríguez, ressaltou que a realização de eleições livres no país depende de condições como a presença de uma imprensa independente e a criação de um novo órgão eleitoral.
A líder da oposição, María Corina Machado, tentou antecipar seu retorno ao país para demonstrar solidariedade às vítimas, mas enfrentou a acusação de que o regime havia fechado o espaço aéreo para impedir sua chegada. Autoridades americanas observaram com cautela o desejo de Machado de voltar nesse momento crítico, considerando sua mobilização inoportuna.
Em diversas localidades, foram os próprios cidadãos, com o auxílio de vizinhos, que iniciaram os trabalhos de resgate, escavando escombros com as mãos antes da chegada de qualquer ajuda oficial. O sentimento de abandono e desconfiança em relação às autoridades locais aumentou, com a população confiando mais nos socorristas estrangeiros do que em seus próprios governantes, que estão sendo acusados de tentar minimizar os números reais de mortos e desabrigados.
Analistas apontam que o regime chavista pode usar a narrativa do 'inimigo interno' para tratar as famílias afetadas como potenciais ameaças, o que justificaria repressões. Diante da crise de legitimidade que enfrenta, a tendência é que o governo busque bodes expiatórios para suas falhas, podendo até mesmo responsabilizar socorristas internacionais por problemas na gestão da crise humanitária.




