O Chefe de Gabinete do governo de Javier Milei, Manuel Adorni, renunciou ao cargo neste sábado (27) após um período de intensa pressão política e investigações judiciais que envolviam seu patrimônio. A decisão foi tomada em um contexto de crescente desconforto, tanto por parte da oposição quanto de aliados dentro do Congresso, além de setores do próprio governo argentino.
Adorni, que era considerado um dos colaboradores mais próximos de Milei, havia ganhado destaque desde o início da administração, atuando inicialmente como porta-voz e, posteriormente, como Chefe de Gabinete. Sua saída acontece após quatro meses de escândalos relacionados a suspeitas de enriquecimento ilícito, viagens, imóveis e valores não declarados.
Em uma carta divulgada na rede social X, Adorni justificou sua renúncia como uma medida para proteger a si mesmo e sua família. Ele se manifestou sobre os “ataques da mídia” que recebeu e afirmou ter sido tratado como um criminoso e corrupto, apesar de não haver qualquer evidência concreta de corrupção em seu histórico.
O ex-Chefe de Gabinete reafirmou sua inocência em relação às irregularidades e declarou que deixa o cargo “tranquilo e sereno”, com a consciência limpa. A renúncia ocorre enquanto a Justiça argentina continua a investigar as suspeitas envolvendo seu patrimônio.
O caso que culminou na saída de Adorni começou a ganhar notoriedade em março, quando se tornou público que sua esposa, Bettina Angeletti, fazia parte da comitiva oficial que acompanhou Milei em uma viagem aos Estados Unidos. A controvérsia surgiu a partir do fato de que Angeletti não ocupava um cargo público nem tinha uma função formal na missão oficial, levantando questionamentos sobre o uso de recursos estatais para custear sua participação na viagem.
Parlamentares da oposição destacaram a possível violação das normas que regulam viagens oficiais, uma vez que as despesas relacionadas à viagem teriam sido cobertas com dinheiro público sem justificativas adequadas. Embora esse episódio não tenha gerado uma acusação penal, ele abriu caminho para novas investigações sobre os gastos e bens de Adorni.




