Na última sexta-feira (26), o Rei Charles III anunciou que, no ano fiscal de 2024-2025, pagou 12,9 milhões de libras em impostos, o que equivale a aproximadamente R$ 88 milhões. Essa é a primeira vez que um monarca britânico da era moderna divulga publicamente o valor de tributos pessoais, refletindo uma nova abordagem em relação à transparência das finanças reais.
A informação foi divulgada nos relatórios anuais de finanças da família real britânica. Segundo o Palácio de Buckingham, essa iniciativa visa aumentar a transparência em relação às contas da monarquia e promover uma melhor compreensão sobre sua prestação de contas à sociedade.
Com o valor declarado, Charles se posiciona entre os 100 maiores contribuintes do Reino Unido. O relatório também informa que o príncipe William, herdeiro do trono, pagou 7,76 milhões de libras em impostos no mesmo período, equivalente a cerca de R$ 53 milhões.
Essa mudança na postura da monarquia ocorre em um contexto de crescente demanda por clareza nas finanças reais, especialmente após escândalos envolvendo Andrew Mountbatten-Windsor, que foi associado ao financista Jeffrey Epstein, levando a questionamentos sobre o uso de recursos públicos pela família real.
De acordo com uma análise de Mark Elliott, professor de direito constitucional da Universidade de Cambridge, o rei britânico não tem obrigação legal de pagar imposto de renda, imposto sobre ganhos de capital ou imposto sobre herança. No entanto, desde 1993, a monarquia optou por pagar alguns tributos de forma voluntária, em resposta à pressão pública sobre os custos da família real.
Essa prática foi iniciada durante o reinado da rainha Elizabeth II e foi renovada por Charles após assumir o trono. Elliott destacou que, embora os monarcas britânicos já tenham pago impostos voluntariamente desde a década de 1990, esta é a primeira vez que um rei em exercício revela publicamente o montante pago.




