Shaun Evans retornou ao trabalho na cabine do VAR da Copa do Mundo no último domingo, 21, durante a partida entre Nova Zelândia e Egito. Essa reaparição ocorre uma semana após o australiano ter se tornado alvo de uma investigação devido a um gesto que foi interpretado como associado à supremacia branca, ocorrido antes do jogo entre Alemanha e Curaçao. O episódio, que poderia ser uma oportunidade para a Fifa demonstrar a efetividade de seu sistema antidiscriminação, revelou uma outra realidade: a decisão sobre a atuação de Evans foi tomada pela própria entidade.
O comitê disciplinar independente da Fifa liberou Evans para continuar suas funções, alegando que não houve violação ao código da entidade. O árbitro australiano se defendeu, afirmando que o gesto foi um “tique involuntário” e que não tinha a intenção de transmitir qualquer mensagem discriminatória. A Fare, organização parceira da Fifa e da Uefa no combate à discriminação, havia solicitado que Evans fosse afastado de suas funções na Copa, mas essa recomendação não foi acatada.
No Catar, durante a Copa do Mundo de 2022, seleções como Equador, México e Sérvia enfrentaram punições severas devido a cantos discriminatórios de suas torcidas. Essas sanções incluíram multas e o fechamento total ou parcial de estádios. Em 2016, a Croácia recebeu uma das punições mais rígidas, com o afastamento de sua torcida em dois jogos das Eliminatórias da Copa, além de uma multa de 150 mil francos suíços. Recentemente, México e Sérvia foram novamente punidos em decorrência do comportamento discriminatório de seus torcedores.
Esse contexto levanta questões sobre a eficácia das medidas antidiscriminação implementadas pela Fifa e a sua capacidade de agir de maneira efetiva em situações que exigem uma resposta rápida e contundente.



