Autoridades do Irã emitiram avisos ao Ocidente e a países vizinhos na região do Golfo Pérsico, após o ataque a um navio comercial no Estreito de Ormuz. O vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, afirmou que a segurança na passagem pelo estreito não pode ser assegurada sem um entendimento claro que considere a posição do Irã como país costeiro.
Gharibabadi postou no X que "qualquer estrutura viável deve basear-se na coordenação com o Irã" e destacou a importância do parágrafo 5 do Memorando de Entendimento de Islamabad. Ele advertiu que, na ausência dessa coordenação, a rota paralela estabelecida poderá ser suspensa.
O navio Ever Lovely, de bandeira de Singapura e operado pela taiwanesa Evergreen Marine, foi atingido no dia 25 de outubro, enquanto navegava por uma rota recomendada pela UKMTO, uma unidade de emergência da Marinha britânica. Informações de autoridades dos Estados Unidos indicaram que o Irã disparou contra a embarcação, mas não houve feridos, e o navio continuou sua viagem.
O Memorando de Islamabad, assinado recentemente por Estados Unidos e Irã, estabelece diretrizes para encerrar a guerra iniciada em 28 de fevereiro. O documento determina que o regime iraniano deve dialogar com Omã para definir a futura administração e os serviços marítimos no Estreito de Ormuz, respeitando o direito internacional e os direitos dos Estados costeiros.
Nesta semana, Irã e Omã anunciaram a formação de um grupo de trabalho para discutir a gestão da navegação na região. O Estreito de Ormuz é uma rota estratégica, por onde transitava cerca de 20% do petróleo mundial antes do conflito, e que ficou praticamente bloqueada pelo regime iraniano até a assinatura do memorando.
Ali Akbar Velayati, conselheiro para Assuntos Internacionais do líder supremo, Mojtaba Khamenei, também se dirigiu a países aliados dos Estados Unidos, afirmando que a estabilidade dos Estados árabes do Golfo Pérsico é resultado do controle do Irã sobre o estreito. Velayati criticou a presença ocidental na região, alegando que não trouxe benefícios aos países locais.




