Abelardo de la Espriella, advogado de direita nacionalista, foi eleito presidente da Colômbia no último domingo (21). Sua posse está agendada para 7 de agosto, e ele enfrentará o desafio de conseguir apoio de parlamentares independentes e de diversas tendências políticas, semelhante ao "Centrão" brasileiro, para aprovar seu plano de governo. Este plano inclui a implementação de cortes de gastos e ações mais rigorosas contra o crime organizado.
Um relatório da consultoria Orza, divulgado pelo jornal econômico Portafolio, analisou o cenário político resultante das eleições parlamentares de março, que não ocorrem na mesma data que os pleitos presidenciais na Colômbia. O estudo apontou que o novo Congresso se apresenta bastante fragmentado, o que poderá dificultar a governabilidade do novo presidente.
No Senado, Espriella contará com 32 senadores, provenientes do partido Defensores da Pátria e aliados. Em contrapartida, a oposição, liderada pelo senador Iván Cepeda, derrotado nas eleições presidenciais, terá 37 cadeiras. A chave para a viabilidade de sua agenda legislativa estará nas 32 cadeiras ocupadas por senadores independentes, que poderão atuar como fator de desempate em votações.
Na Câmara dos Representantes, o cenário também não é favorável para o novo governo. Espriella terá o apoio de 54 deputados, enquanto a oposição, representada pelo Pacto Histórico — partido do atual presidente, Gustavo Petro, e de Cepeda — contará com 61 cadeiras. Além disso, 46 deputados são independentes, aumentando a complexidade das negociações.
O relatório da Orza destaca que "a viabilidade da agenda legislativa dependerá de acordos amplos e oportunos, sem os quais o governo enfrentará sérias dificuldades para avançar". Durante sua campanha, Espriella enfatizou seu compromisso com a independência dos poderes e a importância de manter uma relação institucional com o Congresso.
Ele afirmou que as negociações com o Legislativo devem se concentrar nos objetivos dos projetos e iniciativas, rejeitando a ideia de troca de cargos ou acordos políticos que não estejam alinhados com a agenda governamental. "Isso não acontecerá conosco", declarou Espriella, conforme informações veiculadas pelo jornal El Tiempo.




