O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, confrontou autoridades israelenses durante uma coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (18). O encontro ocorreu após integrantes do governo de Benjamin Netanyahu manifestarem críticas ao acordo firmado entre Washington e Teerã, que visa encerrar o conflito com o Irã.
Vance expressou preocupação com a reação negativa de ministros israelenses ao memorando de entendimento assinado pelo ex-presidente Donald Trump e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, na quarta-feira (17). O vice-presidente afirmou que a desconfiança e os ataques pessoais direcionados ao presidente dos EUA por membros do governo Netanyahu foram infelizes. “Donald J. Trump é o único chefe de Estado em todo o mundo que é simpático à nação de Israel neste momento”, declarou Vance, sugerindo que o governo israelense deveria reconsiderar sua postura em relação a seu único aliado poderoso.
As críticas de Vance focaram especialmente em ministros da ala conservadora do governo de Netanyahu, como Bezalel Smotrich e Itamar Ben Gvir. Esses políticos defendem que Israel ignore os termos do novo acordo com o Irã, considerando-o uma ameaça à segurança do país, conforme relatado pelo jornal Times of Israel.
O vice-presidente também enfatizou a dependência militar de Israel em relação aos Estados Unidos, revelando que dois terços das armas utilizadas para proteger Israel nos últimos três meses foram fabricadas nos EUA e financiadas por contribuintes americanos. Vance alertou que “o problema de Israel não é Donald J. Trump”, e que qualquer israelense que pense que o maior desafio do país reside na relação com o presidente dos EUA precisa rever sua perspectiva sobre a situação atual.
Em entrevista ao The New York Times, Vance classificou como “estranha” a reação de Israel ao acordo com o Irã, sugerindo que partes do sistema político israelense estão respondendo com base em “informações distorcidas”. Ele também afirmou que, embora Israel tenha o direito de se defender, deve respeitar o processo de paz mediado por Washington. Em relação ao Líbano, Vance expressou a esperança de que o Hezbollah não ataque Israel, mas advertiu que os israelenses não devem agir de forma descontrolada na região.
O presidente Trump reiterou que os Estados Unidos esperam um “cessar-fogo completo em todas as frentes”, abrangendo Líbano, Hezbollah e Israel. Uma pesquisa realizada pela emissora israelense Channel 12 revelou que 71% dos israelenses não confiam que Trump defenderá os interesses de Israel nas discussões com o Irã, enquanto apenas 13% expressaram confiança no presidente americano e 16% não souberam opinar.




