Neste domingo (16), a Ucrânia realizou um dos maiores ataques aéreos desde o início do conflito, lançando mais de 800 drones contra 17 regiões da Rússia. A ofensiva atingiu alvos estratégicos, incluindo refinarias e armazéns de grandes varejistas, resultando em pelo menos seis mortes e incêndios de grandes proporções. Essa nova abordagem tem como objetivo utilizar armas de baixo custo para desgastar as defesas financeiras do Kremlin.
A estratégia militar ucraniana é baseada em uma dinâmica financeira que permite o uso de drones baratos, frequentemente montados com peças civis comuns. Cada enxame de drones obriga a Rússia a empregar munições de defesa aérea extremamente caras, além de expor suas posições de guerra eletrônica, que têm a função de interferir nos sinais dos drones. Com a produção industrial desses aparelhos, o custo e a responsabilidade recaem sobre quem defende um território extenso contra múltiplos alvos.
Os ataques recentes da Ucrânia têm como foco o impacto econômico da Rússia. Um exemplo significativo foi a destruição de armazéns da Wildberries, a maior varejista online do país, que acarretou prejuízos estimados em 150 bilhões de rublos, equivalente a cerca de 1,9 bilhão de dólares. Além disso, refinarias de petróleo, como as situadas em Nizhnekamsk, têm sido alvo frequente, o que não apenas destrói mercadorias e combustível, mas também compromete a logística russa, afetando a disponibilidade de produtos essenciais.
A Ucrânia também se consolidou como um campo de testes militar para os países ocidentais. Em simulações realizadas na Alemanha, unidades ucranianas de drones demonstraram eficiência ao derrotar brigadas blindadas americanas, que são altamente treinadas. Essa evidência sugere que as táticas convencionais de manobra, como o uso de tanques e colunas militares, se tornaram obsoletas frente a enxames de drones não tripulados. O Pentágono já avalia essas lições e está testando drones ucranianos para possíveis aquisições, reconhecendo que até mesmo as avançadas defesas dos Estados Unidos enfrentam desafios com essa nova forma de combate aéreo.
A guerra de drones está impactando o capital político do Kremlin. Pesquisas indicam que a aprovação das políticas estatais caiu de 45% para 21% em um período de seis meses. Além disso, o percentual de russos que acredita que o país está seguindo na direção errada dobrou, atingindo 35%. Apesar do governo classificar os ataques como uma forma de 'intimidação psicológica' e de controlar rigidamente o cenário eleitoral, o aumento das mortes civis dentro da Rússia e a destruição de infraestruturas criam um clima de insegurança que a propaganda estatal não consegue mais disfarçar.




