O telescópio James Webb fez uma importante descoberta ao identificar um buraco negro adormecido na galáxia MRG-M0138, localizada a mais de 10 bilhões de anos-luz da Terra. Revelada em 20 de outubro, essa descoberta foi possível por meio do fenômeno de lente gravitacional, que permitiu a observação de um objeto que possui uma massa estimada em 6 bilhões de vezes a do Sol.
Tradicionalmente, buracos negros são detectados quando estão em processo de 'alimentação' de gás e poeira, gerando intensa luz e energia. No entanto, o buraco negro em questão não está atualmente consumindo matéria, o que o torna invisível para telescópios convencionais.
Para contornar essa limitação, os astrônomos utilizaram uma 'lupa cósmica' natural, conhecida como lente gravitacional. Essa técnica ocorre quando uma galáxia situada entre a Terra e o buraco negro desvia e amplifica a luz de objetos mais distantes em até 30 vezes. Dessa forma, não foi possível visualizar o buraco negro diretamente, mas os cientistas puderam observar como sua gravidade influencia o movimento das estrelas ao seu redor.
A magnitude desse buraco negro é impressionante, com uma massa que equivale a 6 bilhões de vezes a do Sol. O fato de um objeto tão massivo existir em um período tão inicial do Universo, logo após o Big Bang, levanta questionamentos sobre as teorias atuais acerca do tempo necessário para a formação de tais estruturas.
Considerado um fósseis cósmico, o estudo desse buraco negro poderá oferecer insights sobre o envelhecimento das galáxias. Acredita-se que, em um momento anterior, este núcleo tenha sido tão ativo que expulsou o gás de sua galáxia, interrompendo a formação de novas estrelas. Essa descoberta é fundamental para reconstruir a história do Universo primitivo e entender a origem das primeiras grandes estruturas.
Além disso, a detecção desse buraco negro demonstra a capacidade do James Webb de localizar objetos 'silenciosos' e ocultos, ampliando as possibilidades de pesquisa. Futuras missões com os telescópios Euclid e Nancy Grace Roman estão programadas para buscar mais galáxias ampliadas, o que permitirá a criação de um mapa mais abrangente sobre a evolução de buracos negros e galáxias ao longo de bilhões de anos.




