Skatistas de Campo Grande manifestam insatisfação em relação ao uso da pista localizada no Parque das Nações Indígenas, que está sendo utilizada para treinamentos da Polícia Militar (PM). Durante os dias 13 e 14, vídeos gravados por frequentadores mostram policiais realizando atividades de treinamento e superando obstáculos que, segundo os skatistas, foram construídos pela própria comunidade.
Um skatista que preferiu não se identificar revelou que as atividades da polícia ocorrem desde o dia 12. Ele expressou preocupação com a possibilidade de danos às estruturas. "A gente quase não tem espaços adequados e agora nosso espaço está sendo usado para treinamento da polícia. Não temos nada contra a corporação, mas acho que eles deveriam ter locais específicos para isso", afirmou.
O skatista também destacou que muitos dos obstáculos foram feitos e financiados pelos próprios praticantes da modalidade. "Esses obstáculos são feitos com dinheiro do nosso bolso. Estragar vai trazer prejuízo para a gente, tanto para a prática quanto pelo gasto", acrescentou. Ele lamentou a escassez de espaços apropriados e o pouco apoio à modalidade, ressaltando que muitos dos recursos usados para as melhorias no local vieram da comunidade.
O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), responsável pela gestão do Parque das Nações Indígenas, foi contatado para esclarecer a situação e informou que uma equipe será enviada ao local para verificar a atividade. A segurança do parque também será acionada para acompanhar os acontecimentos.
A reportagem tentou contato com a Polícia Militar para entender os motivos da escolha da pista para os treinamentos, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno. Em outubro de 2019, a revitalização da pista do Parque das Nações Indígenas foi um tema abordado pelo Campo Grande News, que destacou que skatistas e artistas locais se mobilizavam para melhorar o espaço. Por meio do projeto "Revitalização Park Lar", o grupo arrecadava tintas e materiais para reparar obstáculos e renovar a pintura do local, buscando inicialmente apoio do poder público, mas acabando por realizar as melhorias com recursos e doações da própria comunidade.



