A Retsina é um vinho que provoca reações contundentes, alternando entre a curiosidade e a apreciação por parte dos consumidores. Com seu aroma característico de pinheiro, ervas mediterrâneas e resinas naturais, esse vinho é um dos mais antigos e autênticos representantes da cultura vinícola. A sua singularidade remonta a um tempo em que a preservação do vinho dependia da criatividade e observação dos gregos e romanos.
Na Antiguidade, os vinhos eram armazenados em ânforas de barro, que, devido à sua porosidade, permitiam a entrada de oxigênio e ocasionavam perdas por evaporação. Para evitar esses problemas, era comum revestir o interior desses recipientes com resina de pinheiros, especialmente do Pinheiro-de-Alepo (Pinus halepensis). Essa prática não apenas aumentava a durabilidade do vinho durante as longas viagens, mas também conferia um caráter balsâmico e herbáceo à bebida, que, com o passar do tempo, tornou-se uma característica valorizada pelos consumidores.
Com a substituição das ânforas por recipientes de madeira e vidro, a necessidade de usar resina diminuiu. No entanto, a tradição da Retsina perdurou na Grécia. Atualmente, sua produção envolve a adição controlada de pequenas quantidades de resina durante a fermentação alcoólica. Ao final do processo, a resina sólida é retirada, permanecendo apenas os compostos aromáticos que se misturam ao vinho. O resultado é um branco seco, frequentemente elaborado com as castas Savatiano, Roditis ou Assyrtiko, que apresenta notas de pinho, tomilho, alecrim, casca de limão e um frescor que combina bem com a gastronomia.
A Retsina, quando harmonizada com pratos, revela todo o seu potencial. O Kechribari, por exemplo, combina bem com sardinhas grelhadas e queijo feta, sendo ideal para ser servido entre 10 °C e 12 °C. Já o Tear of the Pine é uma excelente escolha para acompanhar peixes de carne firme e frutos do mar, destacando-se entre 11 °C e 12 °C. O Tetramythos Retsina, por sua vez, é recomendado para pratos como bacalhau e camarões grelhados, preferindo temperaturas entre 8 °C e 10 °C.
O Gaia Ritinitis Nobilis harmoniza com a culinária mediterrânea e carnes brancas, servindo melhor entre 10 °C e 12 °C. Por fim, o tradicional Malamatina é perfeito para petiscos e legumes grelhados, especialmente entre 8 °C e 10 °C. Esses vinhos, que desafiam as convenções, oferecem uma recompensa significativa ao degustador que busca entender um dos capítulos mais antigos da história do vinho. Salut!




